ENEM 2022 - Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil
Enviada em 09/05/2023
Na obra literária “triste fim de Policarpo Quaresma”, do autor brasileiro Lima Barreto, a figura do protagonista é construída a partir de um ideal ultranacionalista baseado na valorização das questões do próprio país. Lamentavelmente, fora da ficção, observa-se que a conjuntura brasileira contemporânea representa uma antítese ao personagem Policarpo, uma vez que atua como mantenedora da desvalorização das culturas acerca dos povos e comunidades tradicionais no Brasil. Sob tal óptica, não apenas o deficiente ensino brasileiro referente ao tema, como também a negligência estatal atuam como principais estorvos.
De início, há de se constatar a falha do método educacional brasileiro na valorização dos povos tradicionais no território nacional. Segundo Sigmund Freud, neurologista e psiquiatra autríaco, “o pensamento é o ensaio da ação”. Nesse sentido, as instituições educacionais do país, ao lecionarem acerca desses povos de uma perspectiva histórica eurocêntica, enraízam no imaginário estudantil a imagem do indígena marcada pela defasagem tecnológica, tornando-o, por conseguinte, um cidadão vulnerável a práticas discriminatórias . Desse modo, fica evidente que o sistema de educação perpetua o embróglio no Brasil.
Outrossim, é válido destacar a notória inércia estatal no enfrentamento da problemática. Acerca disso, o filósofo Montesquieu, em sua obra “O espírito das leis”, evidencia a importância da execução da legislação existente em um país. Nessa perspectiva, é evidente a débil ação do poder público como mantenedora do problema no panorama brasileiro, haja vista o desrespeito às leis fundamentais para o conhecimento e valorização de costumes e experiências das comunidades originárias do Brasil. Logo, torna-se fulcral a adoção de medidas que melhorem esse quadro.
Torna-se imperativo, portanto, que o governo, por meio do Ministério da Educação, autoridade principal no campo educacional, adote medidas que promovam a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil. Tal medida deve ser realizada a partir de uma mudança no método edudacional escolar, expecificamente a disciplina história, inserindo a visão dos povos originários do Brasil sobre a formação do país, afim de demonstrar a importância dos conhecimentos e experiências desses povos para a identidade nacional. Somente assim, com a conjuntura de tais ações, a valorização da própria nação vista em Policarpo poderá ser observada na sociedade hodierna.