ENEM 2022 - Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil

Enviada em 28/09/2023

No seriado nórdico ‘‘Ragnarok’’, a vida de um jovem oriundo de uma comuni-

dade marginalizada de seu país é impactada pela perda de seu pai devido à proble-mas com a companhia de água da cidade. Contudo, nenhum apoio é prestado ao jovem e este ao receber poderes extraordinários, crava a sua batalha contra as injustiças cometidas contra a sua comunidade. Fora da ficção, na conjuntura brasileira contemporânea, observa-se que tais injustiças contra povos e grupos tradicionais são cometidas, entretanto, ocultadas. Com isso, há desafios para a devida valorização dos nossos povos e comunidades tradicionais, sendo o preconceito estrutural e a falha governamental obstáculos a serem superados para a utopia da plena valorização dos grupos tradicionais brasileiros.

Em primeiro lugar, é necessário pontuar que, diariamente, cidadãos brasileiros são inferiorizados por algum tipo de preconceito que se perpetuou desde a colonização brasileira. Dessa forma, vale ressaltar que na Carta de Pero Vaz de Caminha, quando chegou ao Brasil em uma expedição portuguesa, os povos originários eram retratados como inferiores e até mesmo comparados à animais.

Desse modo, o preconceito praticado na colonização brasileira perpetua-se em nossa sociedade e é refletido no modo em como grande parte das pessoas enxergam os povos tradicionais de seu próprio país de forma pejorativa e inferiorizada. Logo, tal preconceito estrutural e ,sileciosamente, de caráter eurocêntrico impede que as comunidades tradicionais tenham a valorização necessária em sua própria pátria.

Ademais, convém destacar o descaso governamental no que tange à valorização e à preservação da cultura tupiniquim. A esse respeito, John Rawls, na teoria do Pacto Social, enfatizou o papel do Estado como mantedor do bem-estar coletivo e da acessibilidade aos direitos constitucionais. Entretanto, a não valorização devida aos povos e comunidades tradicionais contrastam com a tese do autor, uma vez que o Brasil não parece se preocupar com o enredo, tendo em vista a marginalização e o pouco reconhecimento aos grupos originários. Portanto, é inadmissível a inoperância das esferas de poder a respeito da mitigação do viés.