ENEM 2022 - Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil
Enviada em 29/10/2023
A exaltação do multiculturalismo brasileiro, advinda do movimento modernista de 1922, ainda, na contemporaneidade, faz-se necessária à medida que a realidade de povos tradicionais é marcada pela luta contra a extinção. Destarte, consoante dados levantados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), com aumento em relação ao ano de 2021, em 2022, 1.100 pessoas foram vítimas do genocídio pela luta no campo. Nesse sentido, com os desafios de reivindicar o uso da terra e reafirmar a cultura, indígenas, quilombolas e ribeirinhos enfrentam as sequelas sociais da colonização e o desserviço político no Brasil.
Por conseguinte, fundamentando-se na obra “Raízes do Brasil” - na qual atesta-se reflexos da colonização na dinâmica moderna da realidade nacional-, a negação de culturas baseadas na ancestralidade deve-se aos anos de colonização portuguesa. Destarte, à vista de frequentes expurgos na construção de um Brasil que atendesse às demandas metropolitanas de comércio e ideologias, comunidades indígenas e quilombolas perdem o domínio da terra e são assassinadas ou escravizadas, para instituição da agricultura e imposição religiosa. Assim sendo, a imutabilidade do estigma sofrido pelas comunidades remanescentes é atestada pela emergência sanitária do povo Yanomami, já que sofrem com milícias que vão ao encontro dos interesses do setor primário da economia.
Ademais, conforme a função histórica do Brasil, na Divisão Internacional do Trabalho (DIT), de provedor de mercadorias rurais e extrativistas, a impassibilidade governamental garante a desvalorização das minorias supracitadas à proporção que não cumpre a função de legislar infrações ambientais. Outrossim, com pauta filosófica na banalidade do mal de Hannah Arendt, fenômeno apoiado na recusa da reflexão e no conceito de uma problemática real como trivial, os avanços das fronteiras rurais e a depredação ambiental, crimes sem condenações no país, são incentivados pela inércia nacional de não seguir processos judiciários. Por isso, as integridades indigenista, quilombola e ribeirinha são fragilizadas pela irrefreável ofensiva, amplamente noticiada no jornalismo, de grileiros, garimpeiros e madeireiros.