ENEM 2022 - Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil
Enviada em 07/03/2024
‘‘Nos deram espelhos e vimos um mundo doente’’, a frase pertence a canção Índios, da banda Legião Urbana, e retrata a angústia dos povos originários diante da exploração e aculturação de suas comunidades com a chegada dos portugueses a partir de 1500. Nesse contexto, é possível visualizar a continuidade desse modelo de nação com a desvalorização da atuação dos povos tradicionais no desenvolvimento do país. Diante disso, é importante debater os desafios para a integração das comunidades no Brasil.
Nesse sentido, a má influencia midiática é um problema a ser superado para a valorização dos povos tradicionais. Sob essa ótica, a mídia como agente de comunicação falha ao priorizar a apresentação de esteriótipos ao invés de denunciar casos de violências sofridas por quilombas, ribeirinhos e indígenas. A exemplo disso tem a divulgação da música Índio, da cantora Xuxa, destinada ao público infantil que reforça o preconceito sobre indígenas ao diminuir seus aspectos culturais ao ato de ‘‘fazer barulho’’.
Além disso, nota-se que a falha educacional contribui para a problemática. Acerca disso, o filósofo brasileiro Mário S. Cortella crítica o sistema educacional por focar no ensino técnico para a formação de mão de obra ao invés de aspectos históricos e culturais para a formação de um cidadão. Uma prova disso, é a crítica feita na conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas pelas comunidades tradicionais do Brasil acerca da ameaça a prática de seus direitos na elaboração de legislações sem ouvir o conhecimento e propostas de entidades tradicionais. Logo, sem educar a população sobre a importância das comunidades tradicionais mais medidas governamentais irão ameaçar os direitos e a vida desses grupos.
Em suma, para a valorização dos povos tradicionais no Brasil, é necessário o desenvolvimento de estratégias educativas. Portanto, cabe ao Ministério da Educação oferer no currículo escolar o ensino sobre comunidades tradicionais. Isso será feito por meio de aulas com apoio de livros e documentários. E também, o Ministério Público Federal deve realizar campanhas midiáticas sobre a valorização e proteção de grupos tradicionais. Espera-se com isso, evitar a perpetuação de estereotipos e manter a segurança e atuação desses povos no Estado brasileiro.