ENEM 2022 - Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil

Enviada em 15/03/2024

De acordo com a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, a cidadania e a dignidade da pessoa humana são fundamentos do Estado Democrático de Direito. No entanto, descumprindo com esses princípios, as comunidades e povos tradicionais do país sofrem desafios para serem valorizadas. Isso ocorre devido ao contexto histórico que perpetua no imaginário popular associado à negligência governamental com esses indivíduos.

Pontua-se, de início, que a história colonial do país foi marcada pela desvalorização dos povos tradicionais. Prova disso é que a dominação portuguesa tinha o intuito de converter essas comunidades para o cristianismo, pois a cultura dos nativos era vista como algo demoníaco e que precisava de solução. Por isso, hoje é possível observar o preconceito e a falta de reconhecimento por essa parte da população, que ocorre devido à permanência desses ideais no imaginário popular. Isso é comprovado com a “Moral do Rebanho” do filósofo Friedrich Nietzsche, em que mostra a predisposição do homem alienado a seguir pensamentos e ideologias disseminadas por uma maioria. Logo, fica evidente que isso ocorre na sociedade brasileira contemporânea.

Ademais, é válido ressaltar que a negligência governamental é fator decisivo para a continuação dessa problemática no Brasil. Isso se justifica uma vez que os políticos brasileiros não põem em prática a ética da alteridade com os povos tradicionais do país e isso afeta a dignidade e a cidadania desses indivíduos, direitos declarados na Constituição brasileira. Segundo o filósofo Emmanuel Lévinas, “a ética da alteridade é abrir-se ao outro sem qualquer tipo de dominação e entendendo as suas diferenças”.

Portando, diante do exposto, é notório os desafios para a valorização dos povos tradicionais no Brasil. Dessa forma, o Ministério da Educação, órgão responsável pela educação do país, junto ao Poder Executivo deve decretar o ensino da cultura e história dessas comunidades nas escolas e faculdades do país, por meio de materiais didáticos gratuitos, com o objetivo de combater o imaginário que circula na mente da população brasileira e assim diminuir o preconceito enfrentando por esses indivíduos.