ENEM 2022 - Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil
Enviada em 02/11/2024
O movimento do romantismo ressaltou os povos originários como pilares da formação social. Todavia, fora da ficção, a população silvícola não logra de tal reconhecimento, tendo em vista o preconceito e a desvalorização que lhes é dirigida, fator intensificado pela formação nacional e a negligência estatal.
Mormente, analisando a perspectiva por um prisma histórico, infere-se a influência
da formação nacional para a perpetuação da desigualdade. Destarte, os portugueses - ao colonizarem a nação tupiniquim - promoveram a aculturação dos povos tradicionais, reduzindo-os a “bons selvagens”, os quais tiveram sua complexidade cultural desprezada, e eram vistos como “páginas em branco” e obrigados a seguirem padrões culturais, religiosos e linguísticos impostos pelos brancos. Desse modo, apesar do ínterim entre o século XV e o contexto hodierno, o preconceito étnico prevalece no Brasil, fator comprovado pela redução dos povos indígenas a meros esteriótipos nas instituições públicas, sendo retratados por meio de caricaturas que deixam de lado seu valor culturas.
Ademais, é nítida a inoperância governamental na promoção de direitos aos cidadãos naturais. Nesse sentido, o sistema econômico brasileiro ainda se baseia no plantio extensivo, onde latifundiários e mineradores buscam expandir o espaço disponível para a obtenção de lucro. Entretanto, o aumento da fronteira agrícola coloca em risco a existência de diversas comunidades, as quais nutem - de maneira contrária a silvícola - uma relação harmoniosa com a terra. Dessa maneira, apesar da Carta Magna garantir a todos os indivíduos aborígenes o direito à terra, as ferramentas estatais se mostram preocupantemente inertes em relação à expansão da fronteira agrícola.
Portanto, é fulcral que o Estado mitigue o problema. Para tanto, urge que o
Ministério da Educação implemente aulas obrigatórios sobre a importância desses
grupos para o país, a níveis fundamental e médio, por meio da inclusão do assunto
na Base Nacional Comum curricular. Isso deve ser realizado a fim de que a
valorização de diferentes culturas seja ensinada desde cedo, evitando o atual
cenário. Além disso, o Governo Federal deve fiscalizar o respeito à preservação de
terras dos povos nativos, garantindo os direitos a essa comunidade.