ENEM 2022 - Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil

Enviada em 31/10/2024

A constituição Federal de 1988, assegura o direito ao tratamento igualitário para todos os cidadãos brasileiros sem distinção. No entanto, comunidades e povos tradicionais do Brasil não experimentam tal direito na prática, uma vez que não são valorizados como cidadãos importantes para a formação da identidade nacional. Assim, torna-se imperioso analisar de que forma a ineficiência governamental e a lacuna educacional fomenta a problemática.

Dessa forma, em primeira análise, cabe destacar os interesses econômicos que movem o Estado como um dos motivos principais do empecilho, pois, prioriza o lucro em detrimento do bem-estar social, isto é, a valorização dos povos originários é posta em segundo plano. Sobre isso, o indígena e ativista Ailton Krenak, tece uma crítica ao conceito de ‘‘humanidade única’’ proposta pela visão do mercado, uma vez que gera exclusão para todos os povos que optam viver fora da lógica capitalista. Logo, dado que o capital é mais importante para a máquina pública, estilos de vida que não são fontes de lucro são invisibilizados propositalmente.

Ademais, a falta de valorização das comunidades e povos tradicionais é um problema diretamente ligado ao sistema educacional, dado que não reúne esforços para trazer luz ao assunto. A esse respeito, para Kant, o homem nada mais é do que aquilo que a educação faz dele, isto é, as instituições de ensino possuem papel fundamental na formação do indivíduo. Nessa perspectiva, as instituições educacionais deixam de fora de sua grade curricular ou, por vezes, ensinam de modo superficial sobre as comunidades e povos autóctones do Brasil. Por conseguinte, o indivíduo em formação torna-se leigo quanto a importância da valorização dos povos tradicionais brasileiros, como os quilombolas e ribeirinhos, no processo de formação da identidade nacional.

Portanto, medidas devem ser tomadas para mitigar o impasse supracitado. Para isso, cabe ao Ministério da Educação trazer visibilidade para as comunidades e povos originários brasileiros, por meio de palestras em escolas e faculdades, com a participação de representantes de cada comunidade. Tal ação deve objetivar alcançar a valorização dessas comunidades e povos tradicionais por meio do conhecimento sobre eles.