ENEM 2022 (Reaplicação e PPL) - Medidas para o enfrentamento da recorrência da insegurança alimentar no Brasil
Enviada em 05/11/2025
O livro ´´Quarto de Despejo´´, da escritora Carolina Maria de Jesus, retrata a difícil vivência de uma família em um cenário de miséria e fome. Em paralelo, no Brasil atual, nota-se a perpetuação da insegurança alimentar na realidade de muitas famílias em solo nacional. Desta forma, cabe uma análise sobre os principais fatores desta problemática, a histórica desigualdade brasileira e a inação estatal.
Primeiramente, é imperativo mencionar as bases históricas como causadores da vigente insegurança alimentar. Similarmente, o livro ´´O povo brasileiro´´, escrito pelo antropólogo Darcy Ribeiro, define que o Brasil foi fundado sobre pilares de desigualdade socioeconômicas, como as concentrações de renda e de terra, permitindo injustiça social, como a fome. Sob esta óptica, nota-se que, mesmo escrita com ênfase no período colonial, a obra relaciona-se ao momento atual da nação, uma vez que o crescente nível de pessoas em vunerabilidade alimentar no país, incentivado pelo latifúndio, permita que exista mais campo disponível para plantação de alimentos do que pessoas passando fome, conforme defendido pelo Movimento dos Sem Terra. Como efeito, a perpetuação histórica de concentração de terra e de renda no país permite o atual cenário de insegurança alimentar.
Outrossim, é imprescindível ressaltar a omissão do Estado no combate à fome. De maneira análoga, o livro ´´Dicionário da Politíca´´, escrito por Norberto Bobbio, afirma o papel do Estado como mantenedor dos direitos civis, como o direito à alimentação. Todavia, o Governo permanece ineficaz em cumprir seu supracitado papel devido a inexistência de programas distribuidores de comida na nação, prova disto é que, mesmo sendo o maior produtor de alimentos da América Latina, mais de 30 milhões de pessoas passam fome no Brasil, conforme dados do IBGE. Logo, enquanto a ineficiência estatal permanecer, milhões de cidadãos passarão fome.
Portanto, urge ação do Poder Público para mitigar o cenário de insegurança alimentar no país. Assim, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos -órgão responsável pela manutenção da dignidade humana- criar uma campanha, por meio das mídias analógicas e digitais, com objetivo de incentivar a desapropriação de terras improdutivas, transformando-as em fontes de alimentos. Assim, o país irá superar a injustiça histórica, combatendo a insegurança alimentar em todo o país.