ENEM 2022 (Reaplicação e PPL) - Medidas para o enfrentamento da recorrência da insegurança alimentar no Brasil

Enviada em 06/09/2023

Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Segundo a lógica barrosiana, é preciso, portanto, valorizar também medidas para o enfrentamento da recorrência da insegurança alimentar no Brasil - já que grande parcela social não enxerga tal entrave com a devida relevância. Assim, vale ressaltar que as questões culturais e a desigualdade social são fatores que devem ser combatidos.

Diante desse cenário, é lícito postular as questões culturais no combate ao revés supracitado. Para entender essa lógica, alude-se ao Art. 6º da Constituição Federal de 1988, o qual diz que todo cidadão tem direito à alimentação adequada, contudo, não há o cumprimento efetivo da lei, tendo em vista o aumento de casos de insegurança alimentar no país. Logo, é ilógico que com esse problema, observar um país que espera alcançar o patamar de nação desenvolvida, manter uma sociedade com raizes históricas de inacessibilidade alimentar.

Ademais, a irrefutável influência da desigualdade social é um fator que dificulta a sua resolução. Sabe-se que mais de 30 milhões de pessoas ainda passam fome no Brasil, segundo pesquisa UOL. Ao observar o poema “A pátria” de Olavo Bilac, o trecho “jamais negou a quem trabalha o pão que mata a fome” mostra que há uma divergência com a realidade brasileira, pois os dados dizem totalmente o contrário, onde muitos trabalham duro e não conseguem sequer comprar o alimento diário. Desse modo, enquanto a igualdade social caminhar a passos curtos, desafios contemporâneos, como alto índice de fome e subnutrição, continuarão a afligir a nação.

Fica explícito, então, que iniciativas para degradar a recorrente insegurança alimentar brasileira precisam ser debatidas. À luz disso, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome - responsável por promover a inclusão social e segurança alimentar, deve garantir politicas públicas que incentivem acesso igualitário a alimentação de qualidade nutritiva, por meio de campanhas de combate à fome e a mídia engajada em postagens nas redes sociais. Isso deve ser feito com o objetivo de diminuir a frequência de insegurança alimentar no Brasil.