ENEM 2022 (Reaplicação e PPL) - Medidas para o enfrentamento da recorrência da insegurança alimentar no Brasil

Enviada em 28/09/2024

Na obra “Quarto de Despejo”, Carolina Maria de Jesus relata seu e triste cotidiano como mãe solteira na criação dos filhos, que luta contra a fome e a invisibilidade social. Embora escrito na década de 1950, a narrativa se mostra atual, haja vista que parte da população brasileira enfrenta recorrentemente a inseguraça alimentar. Isso se deve pela negligência governamental e midiática.

Nesse viés, pode-se afirmar que a insegurança alimentar no país está relacionada a questões sociais sobre as quais o Estado deve agir de forma a mitigá-las e permitir a dignidade dos cidadãos. Nesse sentido, o historiador José Murilo de Carvalho afirma que para um cidadania completa se faz necessária a completudo dos direitos civis, políticos e sociais do indivíduo. No entanto, na medida em que parcela populacional enfrenta situação de vulnerabilidade alimentar - segundo pesquisa realizada pela Organização das Nações Unidas, na qual indica que 36% dos brasileiros sofrem de insegurança alimentar - é notável que Governo não tem cumprido seu papel como garantidor dos direitos sociais dessa população. Por consequência, sem acesso contínuo à alimentação digna essas pessoas podem apresentar quadro de desnutrição, e, ainda, risco de morte.

Ademais, vale mencionar que a mídia também é responsável pela problemática da insegurança alimentar no Brasil. Sob essa conjuntura , coforme o filósofo Pierre Bourdieu “o que foi criado para ser instrumento da democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão.” Dessa forma, para Bourdieu um desses instrumentos é a mídia, mas, em vez de promover o debate acerca da fome, prefere silenciar. Isso pode ser visualizado por meio de restritos programas televisivos que debatem o tema e, assim, contribue para a invisibilidade da situação lastimável e permanência de contextos iguais ao de Carolina Maria de Jesus.

Diante do exposto, cabe aos entes federativos, União e Estados, intalarem nos Municípios mais restaurantes populares, mediante parceria público-privada, em regiões com mais demanda social, a fim de atender população em situação de vulnerabilidade alimentar. Bem como, que a rede midiática traga à tona a realidade desses brasileiros, por meio de programas de auditório, com o fito de conscientizar e reclamar ações para a mudança de realidade da comunidade marginalizada.