ENEM 2022 (Reaplicação e PPL) - Medidas para o enfrentamento da recorrência da insegurança alimentar no Brasil

Enviada em 29/10/2024

Para a pensadora Djamila Ribeiro, o primeiro passo para solucionar uma questão é tirá-la da invisibilidade. Dessa forma, torna-se notável a necessidade do debate acerca da insegurança alimentar no Brasil, buscando medidas que possam amenizar essa problemática causada por ineficiência estatal e pelo modelo político-social vigente na sociedade atual.

Primordialmente, é importante destacar o descaso governamental quanto à problemática que assola milhares de brasileiros, tendo em vista que é um direito básico e dever do Estado cumpri-lo. Como exemplo disso, a obra “Cidadão de Papel”, escrita por Gilberto Dimenstein, enfatiza direitos civis básicos que não são garantidos pelo Estado, situando-se no papel, mas distante da prática. Dessa forma, torna-se necessário que haja empenho governamental para que essa questão pública seja sanada.

Além disso, cabe também ressaltar que o capitalismo é um grande contribuinte com a manutenção da insegurança alimentar, de modo que a desigualdade social, cada vez mais evidente, seja o principal dificultador da distribuição de alimentos. Diante disso, é possível inferir que o regime atual favorece uma classe economicamente privilegiada, já que é também detentora do poder, e marginaliza uma classe naturalmente vulnerável, impossibilitando o atendimento de demandas sociais básicas. Logo, torna-se notável que a falta de representatividade política, alinhada a um regime desigual são responsáveis por perpetuar um modelo de insegurança alimentar e desigualdade social.

Portanto, cabe ao Governo Federal, órgão responsável por garantir o bem-estar geral, criar instituições que sejam responsáveis por garantir o acesso ao alimento e, também se disponibilizem para amparar essa camada vulnerável, de modo que diferentes classes sociais tenham acesso à alimentação, por meio de verbas governamentais e engajamento acerca do tema. Cabe também ao Governo Federal, minimizar os impactos do capitalismo, de modo que a desigualdade social não impeça o atendimento de demandas naturais. Assim, seria possível alcançar uma sociedade menos desigual e com acesso aos direitos básicos previstos na Constituição.