ENEM 2023 - Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil
Enviada em 12/09/2025
No filme “Que horas ela volta?”, Val é uma emprega doméstica que deixa sua filha no interior para trabalhar como babá de uma familia classe média na metrópole. Fora da trama, a contemporaneidade é marcada pela invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher, sobretudo, devido ao sistema patriarcal vigente e ao alargamento da desigualdade social.
No limiar do contexto histórico, as relações de trabalho basearam-se na lógica de que o homem trabalha fora e a mulher cuida da família. Como se observa, essa prática se prolonga até os dias atuais, visto que, segundo dados do IBGE (2022), mulheres dedicam, em média 21,3 horas semanais, enquanto homens apenas 11,7. Nesse viés, a diferença é dada pelo patriarcado que perpetua a divisão de tarefas delegadas à mulher “bela, recatada e do lar” - expressão que repertiu em 2016 para descrever Marcela Temer -. A respeito disso, é comum que mulheres abram mão da vida profissional para arcar com os cuidados da casa e familiar. Logo, urge uma segmentação mais justa desse costume que enfrente a força patriarcal.
Paralelo a isso, muitas mulheres em condição de vulnerabilidade; falta de instrução e/ou apoio de políticas públicas, se veem obrigadas a manter-se em atividades de subserviência devido à omissão de assistencialismo. Isso deve-se à desigualdade social que assola uma parcela majoritária da população, e que reflete trabalhos domésticos não remunerados, dificultanto assim uma autonomia econômica. Para tanto, a filosófa Simone de Beauvoir indagou que “querer ser livre é também querer livres os outros”, ou seja, para que mulheres possam escolher um futuro promissor precisam que lhe sejam dadas condições para tal, onde a invisibilidade do trabalho de cuidado da mulher seja enfrentado efetivamente.
Evidencia-se, portanto, que medidas precisam ser tomadas para combater a problemática. O Governo Federal - instância máxima da administração pública - deve criar o “Programa Equidade” destinado à mulheres de baixa renda, que compõe cursos gratuitos e especializações profissionais. Isso deve ser disponibilizado em todas prefeituras nacionais, e divulgado por meio das redes sociais. Somente assim, a questão supracitada dará lugar ao futuro visível.