ENEM 2023 - Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil

Enviada em 23/09/2025

O filme brasileiro “Que Horas Ela Volta?” evidencia a rotina de Val, empregada doméstica que abdica do convívio com a filha para cuidar do lar de uma família de classe média em São Paulo. A narrativa escancara a desvalorização do trabalho de cuidado feminino. Fora da ficção, essa realidade também se manifesta no Brasil contemporâneo, em que o trabalho de cuidado realizado por mulheres permanece invisibilizado pelas desigualdades e pela omissão estatal. Diante disso, torna-se imperiosa a adoção de medidas que revertam esse cenário.

Sob essa perspectiva, a intensificação da desigualdade contribui para a invisibilidade do trabalho realizado por mulheres. Segundo a Organização Internacional do Trabalho, mais de 90% das atividades domésticas no Brasil são desempenhadas por mulheres, o que evidencia um recorte de gênero. Esse quadro reforça a divisão sexual do trabalho, naturalizando a ideia de que cuidar do lar e das pessoas é uma obrigação feminina sem valor econômico. Como resultado, essas trabalhadoras permanecem à margem da valorização social e têm dificuldade de romper ciclos de pobreza, perpetuando a desigualdade estrutural.

Ademais, a omissão estatal amplia essa invisibilidade. A falta de políticas eficazes para formalizar e regulamentar o setor impede que essas trabalhadoras tenham acesso pleno a direitos trabalhistas, previdenciários e reconhecimento social. Nessa lógica, fundamenta-se a perspectiva de Keynes: o governo deveria construir um Estado de bem-estar social, entretanto, isso não ocorre no Brasil, pois não há condições dignas de trabalho para essas mulheres, o que mantém estigmas históricos e impede avanços na equidade de gênero e raça. Desse modo, o Estado, ao se omitir, reforça o silenciamento e a desvalorização dessas profissionais.

Portanto, é urgente que o Estado adote medidas para valorizar o trabalho de cuidado feminino. Entre elas estão a formalização das atividades domésticas, garantindo direitos trabalhistas, a implementação de programas educativos e campanhas na mídia, em colaboração com o Ministério das Comunicações, para conscientizar a população sobre a importância desse trabalho. Essas ações reduzirão a invisibilidade do trabalho feminino e promoverão maior equidade de gênero no Brasil.