ENEM 2023 - Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil
Enviada em 28/10/2025
Para Hannah Arendt, filósofa alemã, a essência dos direitos humanos consiste no “direito de ter direitos”, ou seja, a garantia mínima de cidadania e dignidade. Contudo, a realidade da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil contradiz esse ideal, revelando a ineficácia do Estado e o silenciamento midiático.
Nesse contexto, o Estado contribui para a manutenção da desvalorização do cuidado feminino. Sob essa óptica, Émile Durkheim, renomado sociólogo francês, afirma que é dever do Estado gerenciar questões relacionadas ao progresso coletivo. Em contrapartida, o cenário atual contraria esse pensamento, devido à falta de investimento em políticas públicas que reconheçam o trabalho de cuidado como parte da economia, como a ampliação de creches públicas e programas de apoio financeiro a cuidadoras. Enquanto o poder público não atuar nesse sentido, esse árduo panorama brasileiro não mudará.
Além disso, o silenciamento agrava o impasse em torno da desvalorização do trabalho feminino. Habermas — insigne sociólogo alemão — defende que a transformação social depende do diálogo. Contudo, esse princípio não é cumprido, visto que a mídia e as redes sociais raramente abordam o tema de forma crítica, o que perpetua estereótipos sobre o papel da mulher e limita a reflexão da população sobre a divisão justa das responsabilidades de cuidado. Para enfrentar essa situação, é necessário promover debates públicos e ações de conscientização que estimulem o reconhecimento social dessas atividades, como programas de TV abordarem a temática em horário nobre. Assim, o problema pode ser minimizado.
Portanto, é essencial que o Ministério das Mulheres, em parceria com o Ministério da Educação, adote medidas produtivas para minimizar os impactos da invisibilidade do trabalho de cuidado feminino. Para isso, deve promover campanhas nacionais de valorização e equidade de gênero, por meio de ações educativas e midiáticas, visando reconhecer a importância social dessas tarefas e incentivar a divisão igualitária entre homens e mulheres. Assim, será possível reduzir a desigualdade de gênero e aproximar o Brasil do ideal de Hanna Arendt.