ENEM 2023 - Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil
Enviada em 01/11/2025
No filme “Um senhor estagiário” é retratada uma empresária de sucesso que abdicou do trabalho de cuidado para dedicar-se à carreira e recebeu muitas críticas por essa decisão. Embora seja uma narrativa fictícia, tal cenário ocorre na realidade, quando uma mulher prioriza sua profissão e não sua família. Por outro lado, quando o contrário ocorre e as mulheres se dedicam aos cuidados, elas são invisiveis aos olhos da sociedade. Por isso, há desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil decorrente do machismo estrutural e da sobrecarga gerada pela dupla jornada.
Em princípio, o machismo estrutural da sociedade patriarcal é o principal desafio dessa invisibilidade. Apesar de avanços conquistados, há atitudes e discursos que reforçam o machismo, como “o homem tem que ser o provedor da casa”. Tal fala pode parecer inofensiva, porém, ao analisá-la, fica evidente que o lugar da mulher em casa com os serviços domésticos, impossibilitada de ter uma carreira e ficando submissa ao parceiro. Essa realidade pode resultar em situações de violência, nas quais a vítima permanece por dependência financeira.
Ademais, outro fator determinante para a invisibilidade do trabalho de cuidado é a sobrecarga gerada pela dupla jornada. Como mencionado no filme citado anteriormente, muitas mulheres precisam conciliar o trabalho fora de casa com as responsabilidades domésticas, enquanto outras acabam abrindo mão de uma dessas funções devido ao esgotamento físico e mental. Dessa forma, quando a mulher é obrigada a exercer ambos os papéis e não é valorizada em nenhum deles, o desgaste emocional aumenta, gerando desmotivação e impactando negativamente tanto o ambiente profissional quanto o familiar.
Sob esse viés, para que os desafios da invisibilidade do trabalho de cuidado feminino sejam superados, é necessária uma ação conjunta da sociedade. Cabe a ela conscientizar-se sobre o machismo estrutural ainda presente e valorizar o papel da mulher. Além disso, o Estado, por meio dos ministérios da Mulher e da Educação, deve promover fiscalizações e palestras sobre igualdade de gênero, a fim de incentivar uma divisão mais justa das responsabilidades domésticas e profissionais.