ENEM 2023 - Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil

Enviada em 06/11/2023

O texto legal da Carta Magna brasileira tipifica, por meio dos objetivos da República Federativa, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária. Nesse viés, é válido mencionar a concretização de uma garantia constitucional inerente ao ser. Contudo, a desvalorização do trabalho de cuidado realizado pela mulher materializa-se na figura de um obstáculo às prerrogativas legais. Logo, é imperioso que haja a análise dessa problemática dentro do contexto social inserida.

Em primeira análise, a Organização das Nações Unidas (ONU) estabelece a redução das desigualdades como um dos objetivos para a agenda de 2030. Diante disso, a manutenção de ideais patriarcalistas na sociedade contemporânea caracteriza-se como um impasse às metas traçadas pela ONU, visto que consolida a associação histórica entre mulheres e trabalho de cuidado, como a criação dos filhos e tarefas domésticas. A Primeira Guerra Mundial possibilitou a efetiva inserção do gênero feminino no mercado de trabalho, uma vez que os maridos foram convocados pelo exército e precisaram buscar medidas alternativas para prover financeiramente a família, sem abandonar as tarefas domésticas. Nesse sentido, o que deveria ser reconhecido e gratificado permanece sendo palco de desrespeito e violência doméstica, como é o caso de milhares de mulheres brasileiras, além de serem acusadas de abandonarem o lar.

Similarmente, outro ponto de extrema fragilidade a redação da República Federativa é a ausência de um documento que legitime o trabalho de cuidado no âmbito coletivo. Atualmente, no Brasil, existem diversas modalidades de profissões que não possuem salário e carga horária pré estabelecidas, o que contribui com a desigualdade. Nesse viés, a inexistência de uma regulamentação dessas novas profissões contribui com a desvalorização do trabalho de cuidado realizado por mulheres. Diante disso, é válido mencionar que, de acordo com a ONU, o Brasil é a 8º nação mais desigual, o que corrobora com a necessidade de intervenção nesse cenário.