ENEM 2023 - Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil

Enviada em 06/11/2023

No livro “Noites Brancas”, do escritor russo Dostoiévski, é retratada a história da personagem Nastiénka, que vive amargurada por estar atrelada à sua avó por se sentir na obrigração de cuidar dela, por esse motivo a garota perde sua juventude nas tarefas domésticas. De maneira análoga à obra, é inegável que o trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil não é valorizado com o esperado. À vista disso, é crucial discutir acerca dos elementos que protagonizam a manifestação do revés: o legado histórico colonial e a omissão estatal em relação às leis trabalhistas.

Sob esse viés, é válido apresentar o legado histórico colonial como uma das cau-

sas do cenário apresentado. Para isso, é oportuno citar o papel das amas de leite na criação dos filhos dos senhores de engenho no período em que o país foi coloni-

zado, reforçando o patriarcalismo enraizado na sociedade. Dessa maneira, é notó-

rio que esse costume foi perpetuado até o contexto hodierno, em que o gênero fe-

minino dedica cerca de 10% do seu tempo a mais que os homens ao labor do do-

micílio, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Logo, denuncia-se que tal prática atua negativamente no que tange à valorização do papel das mulhe-

res na atualidade.

Faz-se oportuno, ademais, analisar a omissão estatal como fator coadjuvante no agravamento do impasse. Destarte, é profícuo citar o sociólogo Zygmunt Bauman e seu conceito de “instituições zumbi”, na qual ele afirma que no Estado existem ór-

gãos que não exercem suas funções como deveriam. Diante desse cenário, a nação vai ao encontro das teorias do sociólogo, visto que muitas mulheres são mal remu-

neradas e muitas vezes realizam trabalho análogo à escravidão, como várias vezes é noticiado pelo site G1, devido à falta de fiscalização por parte do poder público. É perceptível, pois, que enquanto não houver a ressignificação de tal conduta, difícil será alterar o quadro nacional.

É preciso, portanto, superar a gênese do problema. Para tal, o Ministério do Tra-

balho-órgão responsável pelas políticas trabalhistas no Brasil-deve, junto às Secre-

tarias do Trabalho regionais, promover campanhas de fiscalização