ENEM 2023 - Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil
Enviada em 07/11/2023
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Tomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa acerca da invisibilidade do trabalho de cuidadora da mulher no Brasil é antagônico à civilização ideal descrita pelo autor, sendo este um problema enraizado que não recebe a devida atenção em território nacional. Nesse contexto, deve-se analisar como a negligência estatal e o patriarcalismo estrutural impulsionam tal problemática, com o intuito de solucioná-la.
Diante desse cenário, nota-se a inoperância governamental como fator agravante da invisibilidade do trabalho de cuidadora. De acordo com o geógrafo Milton Santos, em seu texto “As Cidadanias Multiladas”, a cidadania atinge a plenitude de sua eficácia quando os direitos do corpo social são desfrutados de maneira homogênea. Todavia, no contexto hodierno, a passividade do Estado distancia as mulheres que exercem a função de cuidadora dos direitos constitucionalmente garantidos, à medida que seus trabalhos são extremamente desvalorizados no ponto de vista financeiro e social, colocando essas mulheres em condições de trabalho análogo à escravidão. Dessa forma, enquanto a máquina pública negligenciar suas responsabilidades, o problema perdurará e os direitos dos cidadãos continuarão sendo multilados de forma sistemática.
Ressalta-se, ademais, que o patriarcalismo estrutural potencializa esse cenário. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres dedicam, aproximadamente, o dobro do tempo exercendo a função de cuidadora de pessoas em relação aos homens. Diante de tal exposto, observa-se a maioria esmagadora do trabalho de cuidador do gênero feminino em comparação ao gênero masculino. Porém, o mesmo não se reflete no salário e nas condições de vida das mesmas. Sendo este, ocasionado pela estrutura social patriarcal ainda predominante no Brasil. Sendo assim, é imprescindível combater o patriarcalismo estrutural, visto que esse é um dos principais fatores do problema.
Diante do exposto, denota-se a urgência de propostas governamentais que revertão esse quadro. Portanto, cabe ao Estado - em sua função de promotor do bem-estar social - conscientizar as crianças e os adolescentes sobre a igualdade de gênero e a valorização do trabalho, seja ele qual for, por meio de palestras dinâmicas. Tal ação terá como finalidade a reversão desse cenário, de maneira gradual e homogênea. Assim, mitigando o problema existente, que fragiliza a cidadania plena do país e, consequentemente, aproximando a sociedade brasileira daquela descrita por Tomas, em “Utopia”.