ENEM 2023 - Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil
Enviada em 13/11/2023
Para a filósofa alemã Hannah Arendt, os apátridas estão sujeitos a um Estado de exceção em que são excluídos e explorados. Nesse sentido, cabe mencionar a situação de desvalorização que é vivenciada por mulheres que exercem funções domésticas de cuidado no Brasil. Pois, embora o país tenha passado por muitos avanços sociais em relação ao papel da mulher na sociedade brasileira e no mercado de trabalho, ainda existem diversos preconceitos e estigmas que devem ser solucionados.
Primeiramente, deve-se ressaltar que o problema ocorre devido a falhas governamentais e a manutenção de esteriótipos de gênero, raça, e condições socioeconômicas. Nesse contexto, o filósofo Platão afirma que “a política é a esfera para a realização do bem comum”, o que não é levado em consideração por muitos estadistas. Visto que ainda há uma enorme discriminação voltada para pessoas que trabalham com serviços domésticos, ou prestam assistência e cuidados a um determinado grupo. Essa prática discriminatória é impulsionada pela baixa remuneração e pela falta de reconhecimento dessas profissões por parte dos órgãos legislativos. O que acarreta na persistência da exploração e desvalorização da mão de obra dessas mulheres.
Além disso, a lacuna educacional brasileira faz com que muitas pessoas não tenham conhecimento da importância da existência desses profissionais para o bem estar da população de modo geral. Ademais, a ausência de conscientização nas escolas e universidades a respeito da relevância dos serviços de cuidados, propicia a alienação e a continuidade do descaso perante a essas trabalhadores.
Portanto, é necessário que o Governo Federal, órgão de maior poder político nacional, em parceria com o Poder Legislativo promovam a criação de leis que aumentem o salário desses profissionais responsáveis pelos serviços de assistência, e também garantam seus direitos trabalhistas. Além disso, é fundamental que o Ministério da Educação, órgão responsável pelas instituições educacionais, realize palestras e campanhas que auxiliem na propagação de informações que modiquem o olhar discriminatório que a sociedade costuma direcionar a esses profissionais. Assim, afastando-se da reflexão de Hannah Arendt.