ENEM 2023 - Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil

Enviada em 14/11/2023

Wherner von Braun, proeminente cientista da NASA, em entrevista, ao ser perguntado sobre a possibilidade de mulheres pisarem na lua, respondeu com uma anedota de seu amigo: “estamos reservando cento e dez libras de carga útil para uso recreativo”. Nessa péssima resposta do entrevistado, observa-se a tendência de questionamento da função social da mulher que, por séculos, esteve associada ao trabalho de cuidado. Faz-se necessário analisar, então, os desafios para o enfrentamento da natural invisibilidade desse tipo de ofício no Brasil.

Primeiramente, de acordo com Karl Marx a infraestrutura determina a superestrutura. Nesse sentido, as evoluções tecnológicas das forças produtivas afetam a cultura. Desta forma, quando houve o processo de industrialização no Brasil promovido por Getúlio Vargas, as mulheres começaram gradativamente a assumir novas posições na divisão social do trabalho. Isso provocou reinterpretações dos espaços ocupados pelo feminino, desvalorizando, como resultado, o trabalho de cuidado tradicionalmente exercido pelas mulheres.

Outrossim, segundo a psicóloga Maria Homem, não há mais a idealização da mulher como cuidadora por parte da sociedade - não há um “instinto maternal”. Por um lado, isso contribui para emancipação da mulher, mas por outro reduz a importância da função de cuidado ainda exercida por milhares de brasileiras. Há, portanto, nesse lugar de disputa cultural, uma intrínseca invisibilização do velho em detrimento do novo.

Em síntese, urge ao Ministério da Educação, por meio de financiamento governamental, articular a exibição de propagandas em redes sociais que visam valorizar o trabalho de cuidado na sociedade para além do gênero sexual, a fim de dirimir os efeitos das mudanças superestruturais e promover um equilíbrio nas perspectivas da função social do feminino. Deste modo, o trabalho de cuidado exercido habitualmente pelas mulheres, ao longo do tempo, seria valorizado e frases profundamente machistas como a de Braun seriam interpretadas com mais nuance e repúdio.