ENEM 2023 - Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil
Enviada em 19/11/2023
A novela brasileira “Travessia” retrata em sua trama o drama de Neide, uma dona de casa de 40 anos, que sofre por ser dependente financeiramente do marido e ser a única responsável pelo cuidado com as casas. Fora da ficção, muitas brasileiras estão na mesma situação que ela, por conta da invisibilidade do trabalho de cuidado por elas realizado que, infelizmente, apresenta desafios para seu enfrentamento, como o machismo estrutural e a ausência do reconhecimento da importância do papel da dona de casa.
Diante disso, o machismo é um dos agentes do problema. Segundo uma pesquisa do jornal O Globo, cerca de quatro em seis brasileiros acreditam que as atividades domésticas são de responsabilidade exclusiva das mulheres. Posto isso, entende-se como esse preconceito torna invisível esse trabalho quando é por elas feito, já que a esmagadora maioria da população que são coisas que devem estar embutidas no cotidiano feminino, por exemplo, cuidar da casa e dos filhos. Dessa maneira, as meninas são criadas para fazer essas tarefas como uma obrigação, enquanto os meninos não passam por isso.
Ademais, a falta de reconhecimento da relevância do trabalho das donas de casa também causa a problemática. Conforme o economista Evandro Marques, as atividades domésticas não remuneradas são o que fazem 90% das famílias não estourarem seu orçamento mensal, porque teriam que ser absurdamente maiores caso tivessem que pagar por elas. Dado o exposto, pode-se compreender a enorme importância das donas de casa para as famílias brasileiras, tende em vista que realizam tarefas fundamentais para seu convívio, como a limpeza de casas, de forma gratuita.
Desse modo, o machismo estrutural e a falta do reconhecimento do papel das mulheres do lar são extremamente prejudiciais. Portanto, cabe ao governo federal, junto ao Ministério do Trabalho, tornar as atividades domésticas remuneradas, por meio de um programa, que as mulheres que as realizam poderão se cadastrar, que oferecerá um salário mínimo à elas, além de sua aposentadoria quando chegarem aos sessenta e cinco anos. Assim, a sua importância será reconhecida e essas tarefas não serão vistas como cotidianas, mas, sim, como um trabalho.