ENEM 2023 - Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil

Enviada em 24/11/2023

Em “Nurse Jackie”, série americana de meados de 2010, uma enfermeira precisa lidar diariamente com o desprestígio da sua profissão como enfermeira, enquanto demonstra muita competência e zelo pelos seus pacientes. Apesar de tratar-se de ficção, situações semelhantes ocorrem na realidade brasileira, em que as funções ligadas ao cuidado são invisibilizadas, sobretudo aquelas realizadas por mulheres. Diante desse cenário, é preciso entender que isso ocorre por conta da desvalorização da mulher na sociedade e também pelo modo de vida contemporâneo.

Em primeira instância, as funções do cuidado são desvalorizadas justamente por serem associadas à mulher. Florence Nightingale, pioneira da enfermagem no século XX, enquanto dedicava-se ao tratamento de soldados feridos, propôs uma série de medidas na assistência que diminuíram drasticamente os índices de morte das suas enfermarias quando comparadas com as outras. Ainda assim, tais resultados positivos foram rejeitados pela classe médica. Tal fato histórico exemplifica o que ainda persiste no Brasil, onde o cuidado profissional exercido por mulheres na saúde é amplamente desvalorizado em relação ao masculino, sendo um exemplo disso as discrepâncias salariais entre enfermeiras, em sua maioria do gênero feminino, e os médicos no país.

Ademais, o modo de vida no Brasil atual é incompatível com a lógica do cuidado. Baulman, sociólogo contemporâneo, cunhou o termo “Sociedade Líquida”, em que as relações buscadas no cotidiano são, sobretudo, imediatistas e com ênfase no instantâneo. Em contrapartida, o cuidado é essencialmente uma atividade gradual, constante e duradoura. Como exemplo disso, é possível citar o ato de plantar, em que é somente com o zelo e o regar diário que essa planta pode florescer. Conclui-se então que ambos os conceitos são antagônicos.