ENEM 2023 - Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil

Enviada em 18/12/2023

Millôr Fernandes, grande artista e ilustrador brasileiro, foi criador de um dos maiores aforismos nacionais: “o Brasil tem um enorme passado pela frente”. Esta frase pode ser utilizada para refletir sobre a dificuldade que a sociedade terá pela frente no enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil. O machismo estrutural e a minoria feminina na política brasileira são fatores limitantes da ampliação da visibilidade deste grave problema social e, consequentemente também de seu combate.

Primeiramente, destaca-se que o machismo é tão presente na sociedade brasileira que, apesar de temas como a racionalização do trabalho familiar já serem discutidos desde a década de 1930 e as mulheres já estarem inseridas em grande numero no mercado de trabalho, elas ainda possuem o dobro de horas dedicadas ao trabalho de cuidado em relação ao sexo masculino (IBGE, 2023). Este fato é reforçado quando observa-se que esta força de trabalho é composta principalmente por meninas e mulheres em situação de pobreza e vulnerabilidade social.

Além disso, apesar de estarem em maior número em grande parte dos estados brasileiros, principamente na região sudeste, de acordo com o atual Censo Brasileiro, as mulheres ainda são minoria nos cargos políticos. Medidas públicas foram implementadas para tentar sanar esta desigualdade nas disputas eleitorais, porém, muitas vezes, a presença de candidatas mulheres são apenas estratégias partidárias para arrecadar mais verba de campanha ou cumprir cotas.

Tendo em vista exposto, para combater a invisibilidade feminina no trabalho de cuidado é fundamental aumentar a participação sócio-política da mulher, principalmente em cargos relacionados aos processos regulatórios trabalhistas. Para isso, família, escola e mídias sociais devem atuar de forma mutualística para ressignificqr o papel da mulher na sociedade, desconstruindo estereótipos de gênero e fomentando a autovalorização feminina para que estas sejam capazes de se reconhecer como personagens fundamentais na mudança desta realidade