ENEM 2023 - Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil

Enviada em 18/01/2024

A tarefa de cuidar dos economicamente inativos - ou seja, aqueles que não trabalham, ou por serem jovens demais, velhos demais, ou ainda incapacitados, vem sendo atribuída como dever feminino ao longo da história. Entretanto, apesar da suma importância dessa função na manutenção da espécie, geralmente ela é desconsiderada pela sociedade como relevante. Isso se deve, em especial, a dois desafios: a regulamentação falha e a desvalorização social das ocupações desse cunho.

Primeiramente, deve-se atentar-se que, apesar da existência de alguma regulamentação referente ao trabalho de cuidado no Brasil, não é surpresa que muitas mulheres recebem menos do que um salário mínimo para tal função. Simone Beavouir, filósofa e teórica francesa, aponta para o fato dos direitos das mulheres costumarem serem repensados em qualquer situação de crise - seja econômica, política ou social. Convergente a isso, o aumento do número de pessoas que demandam assistência, fruto do envelhecimento da população, intensifica o questionamento da produtividade da mulher no mercado de trabalho, levando em consideração os direitos como licença maternidade, auxílio creche, folgas para levar os filhos ao médico, entre outras situações.

Outrossim, é evidente a desvalorização de atividades de cuidado, oriunda de uma educação inequalitária e misógina entre meninos e meninas. Tal situação é retratada no documentário brasileiro “As Meninas”, no qual as protagonistas demonstram, desde a mais tenra idade, a ideia pré-concebida de que a mulher possui o papel de procriar e cuidar. Devido a esses preconceitos estruturais e a falta de políticas públicas eficazes, diversas mulheres são má remuneradas ou sequer pagas pelo ato de cuidar, continuando invibilizadas pelo olhar da sociedade.

Urge, portanto, a necessidade da criação de novas medidas para minimizar essa realidade. Para isso, o Ministério Público e da Previdência social deve regulamentar a criação e distribuição de auxílios financeiros para os cuidadores ou disponibilizar casas de cuidado. Assim, a mulher será menos invibializada na prática de cuidar, e a sociedade tomará como um dever de todos o cuidado daqueles que necessitam de assistência.