ENEM 2023 - Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil
Enviada em 04/02/2024
Segundo o Artigo 6º da Constituição Federal de 1988, todo cidadão brasileiro tem direito a um trabalho digno e remunerado adequadamente. Entretanto, tal dispositivo não condiz com a realidade, haja vista os desafios enfrentados devido à invisibilidade das mulheres que exercem tarefas de cuidado com o próximo. Nesse sentido, dois problemas fazem-se relevantes: exclusão de gênero, bem como preconceito com profissões que não necessitam de diploma de nível superior.
De início, vale ressaltar que a sociedade possui uma visão patriarcal do sexo feminino em que o ato de cuidar é obrigação, e por isso não deveria ser remunerado. Nesse viés, a “Teoria da Banalização do Mal”, de Hannah Arendt, discursa sobre o indivíduo seguir uma ideologia sem pensar na consequência sobre ela. Sob tal ótica, o pensamento da filósofa é verossímel com a situação uma vez que grande parte da população brasileira possui o senso comum de que cuidadoras devem fazer isso por causa de seu gênero e, por conseguinte, tal forma de pensar alimenta uma exploração de mão de obra que só será cessada mediante o fim dessa alienação social.
Ademais, é indubitável que algumas profissões sejam marginalizadas por não necessitarem de um curso superior. Nesse âmbito, o livro Olhos D’Água, de Conceição Evaristo, traz em um conto a história de Maria, uma doméstica que ganha um salário baixo e se alimenta de restos de comida da patroa. Em outras palavras, a obra demonstra a realidade de inúmeras mulheres, visto que muitas procuram cargos que se adequam a sua realidade e aceitam situações semelhantes para poderem se sustentar e, muitas vezes, seus filhos também, logo, são exploradas e tratadas sem dignidade por serem vistas como inferiores, geralmente pelos próprios patrões.
Portanto, cabe ao Governo, como promotor do bem-estar social, o aumento da fiscalização contra condições de trabalho degradantes, por meio da criação de leis que pune os contratantes que infringirem a dignidade dessas trabalhadoras, como prisões, com a finalidade de melhoria e valorização dessa classe trabalhadora. Assim o Estado garantirá o seu papel de acordo com a Carta Magna.