ENEM 2023 - Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil
Enviada em 02/05/2024
A Constituição Federal (CF-1988) prevê que todo cidadão brasileiro possui direito a uma vida digna. Entretanto, a realidade denota um certo distanciamento desse ideal ao expor que, segundo o IBGE, as mulheres representam a maioria expressiva no trabalho doméstico não remunerado no Brasil. Nesse cenário, nota–se a importância da discussão acerca da invisibilidade do labor feminino (no setor do cuidado) no país. Nesse contexto, dois fatores devem ser considerados: a educação familiar e a escassez de profissionais capacitados.
Em primeira análise, cabe pontuar que que o ensino familiar é essencial para desconstruir os estereótipos relacionados ao gênero em casa. Sob essa perspectiva, consoante ao pensamento do filósofo Jhon Locke, o ser humano é uma tábula “rasa” ao nascer e, com isso, os valores dados ao indivíduo na infância irão direcioná-lo, no seu modo de agir e de pensar, na fase adulta. Dessa maneira, os pais e responsáveis devem, no convívio familiar, mostrar para a criança, desde a tenra idade, que o trabalho do lar não é exclusivo da figura feminina e que todos os residentes devem realizar as tarefas domésticas. Dessa forma, fica evidente a centralidade da família nessa questão.
Ademais, vale ressaltar que, para além do ambiente doméstico, o país carece de profissionais qualificados para laborar no setor do cuidado com terceiros no país, especialmente quando se trata do público idoso. Sobre esse aspecto, de acordo com o site G1, entre 2014 e 2023, houve uma diminuição significativa de trabalhadores capacitados para atender a crescente demanda de serviços para a terceira idade, como cuidadores e fisioterapeutas especialistas. Dentro desse quadro, o agravante é que, lamentavelmente, as mulheres, mesmo sendo as trabalhadoras majoritárias nessa área, recebem salários menores e maior carga horária. Nesse âmbito, ao não fomentar a adesão de mais homens no setor e de não buscar a equidade salarial entre os gêneros, o Estado fere os princípios da CF.
Entende-se, portanto, que o governo federal, por meio do MEC, órgão responsável pela gestão educacional da nação, deve instituir oficinas e rodas de conversa e oficinas com pais e comprofessores, no intuito de orientar sobre como dialogar acerca das questões de gênero e de trabalho no lar e na escola.