ENEM 2023 - Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil

Enviada em 04/05/2024

Em “Que horas ela volta?”, obra cinematográfica nacional, a personagem interpretada por Regina Casé leva uma vida com pouco sustento e, consequentemente, enfrenta dificuldades ao trabalhar como cuidadora do lar de uma família de classe alta. Fora das telas dos cinemas, percebe-se que os obstáculos para o combate à invisibilidade feminina no trabalho de cuidado, percorrem a atualidade brasileira. Com isso, é necessário analisar como fatores ligados às questões históricas e políticas, se configuram na perpetuação dessa problemática.

Diante desse cenário, considera-se as 2 Grandes Guerras Mundiais como um dos impulsionadores dessa invisibilidade, já que o recrutamento de homens para o combate, fez com que as mulheres ficassem reservadas ao espaço doméstico. Com isso, o lado feminino sempre foi visto como apropriado para o cuidado do lar, enquanto os homens saíam para a vida pública. Desse modo, estabeleceram-se divisões sociais entre os sexos feminino e masculino que persistem até hoje.

Além disso, compreende-se também, que o mau gerenciamento de recursos públicos reflete na manutenção da sociedade. Isso ocorre, pois de acordo com Thomas Hobbes, é dever do Estado manter a ordem social. Ao contrário, a assistência oferecida é deficitária, ou seja, insuficiente para atender as necessidades de alguém, havendo assim, a formação de grupos suscetíveis à miséria e dificuldades. Desse modo, visando à reversão desse problema, é preciso fazer valer, na prática,o princípio abordado por Hobbes.

Portanto, é evidente que ainda há entraves para a superação dessa problemática. Logo, cabe ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, responsável pela defesa dos direitos humanos e das minorias no Brasil, ampliar a disponibilidade de recursos a essas cuidadoras. Isso pode ser feito por meio de um Programa Nacional de Incentivo ao Trabalho Doméstico Feminino, a fim de mitigar cada vez mais os efeitos sentidos por essa invisibilidade. Afinal, assim como a personagem de “Que horas ela volta?”, todas as cuidadoras brasileiras merecem ter seu trabalho valorizado.