ENEM 2023 - Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil
Enviada em 19/06/2024
No Brasil observa-se a invisibilidade do trabalho do cuidado, principalmente, realizado por mulheres, profundamente estruturado na sociedade. Sob essa ótica, na autobiografia de Carolina Maria de Jesus, “Quarto de despejo: diário de uma favelada”, é exposto a vida de uma mãe que luta para cuidar e nutrir seus filhos sozinha em meio à margem social mesmo enfrentando preconceitos e sendo ignorada pela população. Dessa forma, existem diversos desafios que impedem a neutralização dessa problemática, destaca-se o silenciamento e a estereotipização gerada sobre o sexo feminino. Logo, urgem-se medidas para o seu combate.
Em primeira análise, muitas mulheres não possuem espaço para comunicarem e expressarem a realidade que enfrentam. Desse modo, por mais que obras como a de Carolina Maria de Jesus representem o ambiente do trabalho do cuidado da família e suas complicações, pouco apresenta-se para sociedade como um todo. Ademais, conforme a filosofa brasileira contemporânea Djamila Ribeiro, a falta de importância dada a determinado assunto tendencia ao no comodismo, ou seja, a estagnação. Por conseguinte, ao não dar lugar de fala às mulheres de forma ampla, ínfimo destaque receberão, assim dizendo, quanto menos exposição possuírem mais profunda será a ferida gerada pelo seu constante silenciamento.
Em segunda análise, o modelo preconcebido sobre as ações das mulheres e sua normalização amplificam esse problema. Então, o estereótipo em que retrata o comportamento feminino e o qual foi, por milhares de anos, disseminado na sociedade tornou-se comum aos seus olhos e, como resultado, a relevância das atividades de cuidado perderem seu devido significado. Em vista disso, na obra “Um útero do tamanho de um punho”, da poeta contemporânea Angélica Freitas, é criticado as diferentes visões em que a sociedade tem da mulher não só de sua aparência, mas também de seus “deveres”. Assim sendo, o estereótipo feminino é um drástico problema para a visibilidade do trabalho de cuidado.
Portanto, com o objetivo de acabar com o silenciamento e os estereótipos estruturados, necessita-se de medidas estatais. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação desenvolver palestras em escolas e auditórios, de modo gratuito, com pensadoras e cuidadoras.