ENEM 2023 - Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil

Enviada em 02/09/2024

O movimento literário barroco foi marcado pelo antropocentrismo contra o teocentrismo, questionando por que o homem é entronizado e a mulher nascida para ser submissa somente a esse com base na religião. Assim, vê-se o trabalho doméstico com o gênero feminino de servir o gênero masculino como algo apenas natural e, por isso, algo obrigatório e corriqueiro, sendo desvalorizado por aspectos sociocultuais e inércia estatal.

Diante disso, pontua-se a assimetria de valorização do papel masculino e feminino. Em vista disso, o naturalismo retrata um realismo, em que o comportamento do homem é determinado pela hereditariedade e ambiente. Por conseguinte, a educação que alguns homens recebem em casa, às vezes, o mostra que o único destino da mulher é ser submissa, e essa dependência a esse o faz deslegitimar todo o reconhecimento do esforço e função do trabalho doméstico. Dessarte, a mulher não é paga pelo tempo que dedica ao homem e tira de si mesma, e essa jornada de empregada doméstica reduz seu tempo único de desenvolver-se financeiramente e conquistar seu espaço no patriarcado.

Ademais, percebe-se que o governo não incentiva pela educação à mulher a apoiar o próprio crescimento plural. Sob tal ótica, esse gênero cresce brincando de ser esposa, mãe e dona de casa, ingenuamente, brincando de “casinha”, mas nunca sendo direcionada a sonhar com um futuro alternativo que valorize o seu direito de ser original e plural, como ter uma profissão escolhida por ela mesma e não algo que lhe foi imposto por machismo nenhum. Outrossim, ela não é remunerada tanto quanto um homem, mas vista como sexo inferior e frágil.

Portanto, a desvalorização dos cuidados realizados pela mulher deve-se a aspectos socioculturais e ao governo. Logo, o MEC tem que fazer campanhas para democratizar a valorização do trabalho doméstico, por meio de um projeto estatal, em que mostre nas escolas que a mulher merece ser legalizada como um cidadão trabalhador remunerado pelo seu tempo dedicado a servir o homem, com reuniões com os alunos que os estimule a lutar pelo seguinte ideal: “mulheres são ativas, originais e plurais. Mulheres são universais”.