ENEM 2023 - Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil
Enviada em 20/10/2024
Em 1516, o filósofo Tomas More teve grande notoriedade na literatura mundial com sua obra “Utopia”, na qual o autor cria uma ilha imaginária que se destaca pela ausência de infortúnio, ou seja, um lugar perfeito, harmônico, sem criminalidade. Contudo, fora do parâmetro ficcional, observa-se que, infelizmente, essa fábula contrasta com o contexto social vigente do país, visto que os desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil são persistentes ainda hoje. Dessa forma, é notório que fatores como o precário sistema educacional brasileiro e também o posicionamento do Estado diante desse infortúnio, têm contribuido para esse cenário.
A primcípio, observa-se que o modelo educacional brasileiro é conteudista, nesse sentido, mecanizado. Essa forma de ensino, segundo o educador Paulo Freire, estimula apenas a competividade entre os estudantes. Desse modo, os conceitos de cidadania e participação social deixam a desejar na formação educacional dos jovens brasileiros, os quais, ausentes de uma formação educacional que estimule o pensamento crítico, acabam, muitas vezes, não dando a atenção necessária ao quesito da invisibilidade do trabalho, e o mesmo conseguindo um emprego com condições salariais precárias, visto que, no artigo 23 da constituição, todos têm o direito à um trabalho bem remunerado.
Em segundo plano, o posicionamento do Estado também cumpre papel relevante para à invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher, pois, apesar de haver na Constituição Federal de 1988 o direito ao livre arbítrio, muitos empresários acabam não se importando com o termo (inclusão social) em suas casas ou comércios, praticando atos que não favorecem o trabalho de cuidado realizado pela mulher.
Fica evidente, destarte, a necessidade que indivíduos e instituições públicas cooperem para mitigar com a invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher. Para isso, o Ministério do Trabalho deverá, junto às escolas, desenvolver projetos educacionais nos ensinos médio e infantil, como a semana da exclusão do trabalho, com estudos de casos e peças teatrais que possam conscientizar os jovens a sair desse mudo fictício, assim como dizia o filósofo Tomas More.