ENEM 2023 - Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil
Enviada em 05/04/2025
Segundo a filósofa Simone de Beauvoir, “não se nasce mulher: torna-se mulher”, frase que mostra a construção social dos papéis femininos. No Brasil contemporâneo, essa construção é visível na invisibilidade do trabalho de cuidado, majoritariamente desempenhado por mulheres e desvalorizado principalmente no aspecto econômico. Essa realidade vem da desigualdade social e do machismo estrutural, que colocam sobre as mulheres o peso exclusivo dessas funções. Como resultado, há impactos significativos para o desenvolvimento econômico e social do país. Diante disso, torna-se urgente a atuação efetiva do Estado para a valorização e regulamentação dessas atividades.
A desigualdade social no Brasil é um dos principais fatores que perpetuam a invisibilidade do trabalho de cuidado. Isso ocorre porque mulheres em situação de vulnerabilidade acabam assumindo essas funções, muitas vezes sem remuneração ou em condições precárias. De acordo com dados do IBGE, mais de 90% dos trabalhadores domésticos no país são mulheres, sendo a maioria negra. Essa realidade evidencia como a desigualdade social protagoniza o problema abordado no tema.
Além disso o machismo estrutural também contribui fortemente para a invisibilidade do trabalho de cuidado. Esse cenário é retratado na série “American Horror Story”, em que uma personagem negra e periférica é de babá de uma criança branca e rica, sendo emocionalmente sobrecarregada e negligenciada. A situação espelha a realidade de muitas brasileiras, vítimas de um sistema que normaliza a exploração de seu afeto e dedicação.
Diante disso, é necessário que o Ministério do Trabalho, em parceria com o Ministério da Educação, desenvolva campanhas de conscientização nacional por meio de mídias sociais, programas de TV e escolas públicas, com o objetivo de informar a população sobre a importância do trabalho de cuidado e incentivar a divisão igualitária dessas tarefas entre homens e mulheres. Somente assim será possível construir uma sociedade mais justa, enfatizando tanto a miscigenação de gênero nos espaços de cuidadores, quanto ao aumento de direitos no trabalho.