ENEM 2023 - Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil

Enviada em 14/06/2025

No livro “O Segundo Sexo”, a filósofa Simone de Beauvoir discute como, historicamente, a mulher foi relegada a um papel secundário, sendo vista como responsável pelos cuidados domésticos e familiares. No Brasil, esse pensamento persiste e contribui para a invisibilidade do trabalho de cuidado realizado por mulheres, que, apesar de fundamental para o funcionamento da sociedade, segue desvalorizado e não remunerado. Diante desse contexto, é necessário analisar os desafios que dificultam a superação desse problema.

Em primeiro plano, a raiz histórica e cultural do machismo estrutural ainda se faz presente. Desde os tempos coloniais, a divisão sexual do trabalho atribui à mulher funções ligadas ao espaço privado, como cuidar dos filhos, dos idosos e da casa, enquanto o homem ocupa o espaço público e produtivo. Isso gera uma falsa percepção de que o trabalho de cuidado não é, de fato, trabalho, o que perpetua sua invisibilidade social e econômica.

Além disso, a ausência de políticas públicas eficazes contribui para agravar esse cenário. Segundo dados do IBGE, as mulheres dedicam, em média, o dobro de horas semanais às tarefas domésticas em comparação aos homens. Mesmo assim, esse esforço não é reconhecido formalmente pelo Estado, nem devidamente incluído nas estatísticas econômicas, o que limita o acesso das mulheres a oportunidades de trabalho formal, autonomia financeira e participação plena na sociedade.

Portanto, é imprescindível que o Estado brasileiro atue para enfrentar a invisibilidade do trabalho de cuidado. Como proposta de intervenção, o governo deve ampliar a oferta de equipamentos públicos, como creches, escolas em tempo integral e centros de acolhimento para idosos, a fim de redistribuir as responsabilidades de cuidado. Além disso, é necessário investir em campanhas educativas que desconstruam estereótipos de gênero e estimulem a divisão equitativa das tarefas domésticas. Por fim, incluir o trabalho de cuidado nas estatísticas nacionais e no debate econômico é fundamental para garantir o reconhecimento social e promover a equidade de gênero no Brasil.