ENEM 2023 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a (re)inserção socioeconômica da população em situação de rua no Brasil
Enviada em 04/10/2025
O filósofo Jean-Jacques Rousseau defende que a coletividade deve zelar pela liberdade e dignidade de cada indivíduo. Entretanto, ao analisar a realidade brasileira, percebe-se que tal premissa não tem se concretizado no que tange à população em situação de rua, que enfrenta inúmeros obstáculos para retomar condições mínimas de cidadania. Nesse sentido, destacam-se como principais desafios para a reinserção socioeconômica desse grupo a estigmatização social e a insuficiência de políticas públicas efetivas.
A aporofobia representa uma barreira significativa para a reintegração social dessa população, esse preconceito se manifesta em atitudes que desumanizam os cidadãos em situação de vulnerabilidade, como a chamada “arquitetura hostil”, que dificulta o descanso em espaços públicos. Essa marginalização reduz suas oportunidades de acesso a empregos e à convivência comunitária, perpetuando um ciclo de exclusão. Assim, o preconceito estrutural evidencia um obstáculo cultural que dificulta a reinserção socioeconômica, ademais, a precariedade de políticas públicas voltadas à inclusão social intensifica esse cenário. Embora exista a Política Nacional para a População em Situação de Rua, sua implementação é limitada diante do crescimento do problema, como mostram os dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), que apontam aumento expressivo da quantidade de pessoas vivendo nessa condição. A ausência de programas consistentes de capacitação profissional e de moradia assistida contribui para que indivíduos permaneçam nas ruas, privados de condições básicas para reconstruir seus projetos de vida.
O Governo Federal, em parceria com prefeituras, deve ampliar a rede de assistência social, por meio da criação de centros de acolhimento que ofereçam moradia temporária e cursos de qualificação profissional, integrados a empresas privadas dispostas a absorver essa mão de obra. Além disso, campanhas midiáticas devem ser promovidas para desconstruir estigmas sociais relacionados à pobreza extrema. Essas ações, ao priorizarem a dignidade humana, possibilitarão uma sociedade justa e inclusiva se concretize no Brasil.