ENEM 2023 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a (re)inserção socioeconômica da população em situação de rua no Brasil
Enviada em 20/11/2025
A desigualdade social brasileira é um dos principais entraves ao desenvolvimento do país. Em vista disso, a crescente presença de pessoas em situação de rua expõe uma realidade marcada pela exclusão e pela falta de oportunidades, revelando um problema estrutural que compromete a dignidade humana. Nesse sentido, discutir os desafios para a (re)inserção socioeconômica dessa população torna-se essencial para compreender o papel do Estado e da sociedade na promoção de direitos. Como afirmou o sociólogo Zygmunt Bauman, vivemos em uma era em que “vidas são descartáveis”, o que reflete o modo como os indivíduos vulneráveis são negligenciados.
Em primeiro lugar, observa-se a dificuldade dessas pessoas em acessar serviços básicos, como educação e saúde, o que impede sua estabilidade social e profissional. De acordo com o IPEA, o número de pessoas vivendo nas ruas aumentou mais de 200% na última década, e grande parte delas não possui escolaridade suficiente ou documentos oficiais para ingressar no mercado de trabalho. Tal cenário evidencia a ausência de políticas públicas eficazes, que deveriam assegurar capacitação profissional, atendimento social e apoio psicológico, uma vez que muitos indivíduos enfrentam também dependência química e traumas familiares.
Além disso, o preconceito social reforça a marginalização desse grupo. Muitas empresas, por exemplo, recusam a contratação de pessoas que não possuem endereço fixo, reproduzindo uma lógica discriminatória que impede a autonomia financeira. Essa exclusão gera um ciclo vicioso: sem emprego, não há renda; sem renda, não há acesso à moradia, e sem moradia, não há inserção social. Assim, a sociedade, ao invés de incluir, contribui para a permanência dessa condição.
Diante disso, é fundamental garantir a reinserção socioeconômica da população em situação de rua. Para isso, o Governo Federal deve oferecer capacitação profissional e emissão de documentos, além de incentivar empresas a contratar esse grupo. Paralelamente, ONGs e mídias devem promover campanhas contra o preconceito. Assim, será possível romper o ciclo de exclusão. Desse modo, o Brasil avançará na proteção da dignidade humana.