ENEM 2023 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a (re)inserção socioeconômica da população em situação de rua no Brasil

Enviada em 07/05/2026

No poema “O bicho” o escritor Manuel Bandeira retrata uma situação chocante, cujas circuntâncias de desamparo nivelam o comportamento humano ao de um animal, tamanha a precariedade de sobrevivência. Essa é a realidade sofrida por muitas pessoas em condição de rua, pois enfrentam duros desafios para a reinserção socieconômica no Brasil, tais como a escassez de oportunidades de emprego e insuficiência de vagas em programas de habitação.

Em primeiro plano, a falta de oportunidades de trabalho figura como principal entrave a esses brasileiros. Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, autor do conceito de “modernidade líquida”, a sociedade atual está marcada pelo individualismo, alicerçada nas relações pessoais que atendam a interesses próprios, o que torna o apoio coletivo menos presente. De tal forma que os indivíduos capazes de oferecer oportunidades aos desamparados, dão preferência aos trabalhadores qualificados que gerem maior lucro.

Além disso, a insuficiência de vagas em programas habitacionais intensifica o problema apresentado. A música “Saudosa maloca”, composta por Adoniran Barbosa, exemplifica o pesar ocasionado pela privação de moradia, a letra narra pessoas alojadas em um imóvel abandonado sendo expulsas do local que consideravam um lar e, sem outra alternativa, retornam às ruas. Essa composição escancara o sofrimento de brasileiros que não possuem lugar garantido para se instalar e migram sem expectativa de permanência.

Nesse sentido, medidas são necessárias para restabelecer a dignidade desses cidadãos. O Ministério da cidadania deveria criar um projeto habitacional chamado “Morada”, por meio do qual os próprios indivíduos desalojados ajudariam no processo de construção de seus lares. Propriedades públicas seriam destinadas ao programa , no qual pessoas desamparadas receberiam capacitação para trabalhar no setor de construção civil e atuariam nas obras dessas edificações. Ademais, esses indivíduos ainda seriam recebidos em abrigos temporários e receberiam salários pelas funções desempenhadas a fim de terem supridas suas carências primárias. Dessa forma, o Brasil caminhará para um futuro mais justo a todos, no qual “malocas” e “bichos” não existam mais.