ENEM 2023 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a (re)inserção socioeconômica da população em situação de rua no Brasil
Enviada em 15/09/2026
Na obra “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus, evidencia-se a vivência em um ambiente de profunda vulnerabilidade social e negação de direitos básicos. Fora da ficção, a realidade converge com o relato literário, haja vista as dificuldades de (re)inserção socioeconômica que acometem a população em situação de rua no Brasil. Nesse contexto, esse impasse é alimentado tanto pela inoperância estatal quanto pela apatia social.
Em primeira análise, a inoperância do poder público atua como vetor desse entrave. Sob essa ótica, o geógrafo Milton Santos, ao cunhar o conceito de “Cidadanias Mutiladas”, demonstra que a omissão governamental impede a efetivação dos direitos essenciais, reduzindo as garantias constitucionais a meras formalidades. Nesse sentido, a tese do pensador comprova-se na prática, visto que a falha do Estado em direcionar recursos para a qualificação de mão-de-obra, prejudica o acesso da população em situação de rua ao mercado de trabalho. Por conseguinte,tornando-se um obstáculo a (re)inserção socioeconômica desses indivíduos.
Em segunda análise, a indiferença coletiva sedimenta os desafios para a (re)inserção socioeconômica da população em situação de rua. Nesse viés, a modernidade é marcada por uma “anestesia social”, na qual problemas complexos são naturalizados na dinâmica urbana. Esse fenômeno é resultado de uma postura omissa da comunidade, a qual banaliza o debate sobre essa questão e deixa de exercer seu papel fiscalizador. Por isso, essa apatia comunitária retira a pressão sobre os governantes para a formulação de políticas públicas, atuando como um obstáculo à superação do entrave.
Portanto, é necessário agir. Para tanto, cabe ao Ministério do Trabalho combater os desafios que assolam a (re)inserção socioeconômica da população em situação de rua. Essa medida deve ser realizada por meio da destinação de verbas para a qualificação da mão-de-obra dos mesmos, bem como para a veiculação de campanhas educativas que contenham informações sobre a importância de (re)inserir socioeconômicamente esses cidadãos. Assim, garantindo de forma digna a (re)inserção socioeconômica desses indivíduos.