ENEM 2024 - Desafios para a valorização da herança africana no Brasil

Enviada em 01/11/2025

No ano de 2023, foi anunciado que a personagem “Ariel”, do novo filme live-action produzido pela Disney, seria interpretada por uma atriz negra, gerando revolta no público que esperava o anúncio de uma protagonista branca, negando a representatividade afrodescendente. Tal acontecimento não difere do Brasil atual, no qual são perceptíveis os desafios para a valorização da herança africana. Logo, é preciso compreender as problemáticas relacionadas ao tema, seja pela negligência cultural histórica ou pela falta de representação negra no dia a dia brasileiro.

Dessa forma, a dificuldade percebida na sociedade em relação à valorização dos povos originários da África remonta ao período colonial, quando esses indivíduos eram escravizados. Segundo a filósofa Hannah Arendt, em sua a respeito da “banalidade do mal”, tornou-se comum a normalização de mazelas sociais nos segmentos atuais. Por consequência, naturalizam-se problemas como o racismo estrutural, herança do regime escravocrata, o que impede a plena inserção dessa população nos âmbitos sociais atuais. Portanto, verifica-se a urgência de mudança correspondente a preconceitos que corroboram com a problemática.

Ademais, o problema ligado à limitada visibilidade da população negra no país dificulta o compartilhamento de sua riqueza cultural entre os cidadãos. De acordo com pesquisa do site “Diplomatique”, em comparação a influenciadores brancos, os negros recebem menor repercussão na entrega de seus conteúdos nas mídias. Nesse sentido, evidencia-se a discrepância entre as raças, apontando uma das causas para a dificuldade em destacar e preservar os costumes de origem africana por meio dos meios de comunicação. Assim, urge a necessidade de aumentar a rede de conteúdos remetentes do grupo social retratado.

Em suma, designa-se como de extrema importância solucionar os desafios encontrados na busca pela valorização da herança africana no país. Desse modo, cabe ao Estado, com o auxílio de agentes da mídia, se responsabilizar pela criação de campanhas em redes sociais não somente pela história negra, mas também demonstrando a correta representatividade deste povo. Enfim, o Brasil se encontrará em posição de representar a carga histórica individual de seu povo em uma só comunidade equalitária.