ENEM 2024 - Desafios para a valorização da herança africana no Brasil
Enviada em 11/11/2025
Apesar da proposta abolicionista de denúncia aos horrores da escravidão africana, o Condoreirismo, parte do Romantismo brasileiro, no século XIX, limitou-se ao sofrimento escravocrata de forma romantizada. Salvo o lapso temporal, essa tendência romântica ainda hoje é notável, pois há uma dificuldade de valorizar a herança africana no Brasil de modo a olhá-la além do passado escravocrata. Dessa maneira, tais desafios continuam, devido ao contexto histórico de exclusão e à falta de investimentos estatais em obras culturais negras.
A princípio, é válido destacar a marginalização dos afro-brasileiros ao longo da história com um dos propulsores da problemática. Sob essa ótica, percebe-se que, desde os ciclos econômicos da cana-de-açúcar, ouro e café, mantidos com a deportação de milhões de africanos no país, a cultura dos escravizados foi violentada com a mudança de nomes, proibição de línguas nativas e o afastamento das suas etnias e suas famílias. Nesse sentido, tais processos seculares acabaram por apagar ou invisibilizar da memória brasileira as suas raízes africanas e os elementos sobreviventes tornaram-se objetos de desprezo e insignificância. A título de exemplo, tem-se o esquecimento e a ignorância da contribuição de personalidades negras nas diferentes áreas como literárias, sociais e políticas. Assim, por motivos genocidas e etnocidas numa grande escala de tempo, a herança africana foi submetida à contínua desvalorização.