ENEM 2024 - Desafios para a valorização da herança africana no Brasil

Enviada em 10/10/2026

Em Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, o protagonista tem seus projetos para o Brasil ignorados pelas autoridades e pela sociedade. De modo semelhante, a herança africana, fundamental para a identidade nacional, ainda enfrenta obstáculos para ser valorizada. Nesse contexto, a insuficiência das políticas educacionais e a persistência do racismo estrutural contribuem para a manutenção desse problema.

Em primeiro lugar, destaca-se a atuação insuficiente do Estado. A Lei nº 10.639/2003 tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas. Entretanto, sua existência não garante sua aplicação efetiva, visto que a falta de capacitação docente e de materiais adequados dificulta a abordagem aprofundada desses conteúdos. Como consequência, a contribuição dos povos africanos para a formação do Brasil permanece pouco reconhecida, favorecendo o apagamento histórico e cultural. Desse modo, a distância entre a legislação e sua aplicação impede que a educação cumpra plenamente seu papel no combate ao preconceito.

Além disso, o racismo estrutural dificulta a valorização dessa herança. Preconceitos historicamente construídos contribuem para a discriminação de manifestações culturais afro-brasileiras, como as religiões de matriz africana. Essa realidade demonstra que tais tradições ainda são alvo de estigmas sociais, o que desestimula seu reconhecimento e reforça a marginalização de elementos essenciais da identidade brasileira. Consequentemente, perpetua-se uma visão limitada da cultura nacional, que desconsidera a diversidade de suas raízes.

Portanto, o Ministério da Educação deve fortalecer a aplicação da Lei nº 10.639/2003, por meio da capacitação de professores e da distribuição de materiais didáticos, a fim de ampliar o conhecimento sobre a cultura africana e afro-brasileira. Ademais, os meios de comunicação devem promover campanhas educativas com a participação de representantes dessas comunidades, visando combater preconceitos e valorizar suas tradições. Assim, será possível ampliar o reconhecimento da herança africana na sociedade brasileira.