ENEM 2024 - Desafios para a valorização da herança africana no Brasil
Enviada em 04/11/2024
A partir das grandes navegações em busca de colonizar novas terras, a população majoritariamente europeia fomentou o processo de aculturação. Por conseguinte, ao longo dos séculos, os povos africanos e seus descendentes sofrerá um apagamento cultural que torna desafiador resgatar aspectos de suas tradições, pois a negritude e a escravidão ainda são conceitos fortemente atrelados no imaginário popular.
Assim, no Brasil, a escritora Djamilla Ribeiro aborda a temática ao proferir que, para combater o preconceito é necessário torná-lo visível, pois apesar da alta porcentagem de pretos e pardos no país, o racismo estrutural os condiciona ao esquecimento. Exemplo disso é a participação de pessoas pretas em telenovelas nacionais predominantemente na condição de empregados, porteiros e outros papéis coadjuvantes na trama.
Paralelamente a isso, o livro “Porque não falo sobre raça com pessoas brancas”, autoria de uma jornalista britânica, corrobora com o pensamento de Djamilla ao citar que ver todas as raças como iguais é não ver as raças e seus aspectos individuais, o que permanece prejudicando a história da população negra. Em contra partida, obras como “Pantera Negra”, que narra a trajetória do super-heroi africano valorizam a cultura do continente por meio do empoderamento que impacta afro-brasileiros de todas as idades.
Portanto, urge resgatar a cultura afro-descendente principalmente entre mente em desenvolvimento em idade escolar. Para isso, o Estado, por meio do Ministério de Educação, deve revisar e atualizar o conteúdo programático da base curricular nacional, substituindo a visão eurocentrada e colonizadora, e destacando as riquezas culturais da população africana. Além disso, deve divulgar culturalmente e cientificamente ícones negros em mídia, jornais e escolas, para restaurar a autoestima afro-descendente e alterar o imaginário popular de que a negritude só é relevante sobre escravidão.