ENEM 2024 - Desafios para a valorização da herança africana no Brasil

Enviada em 09/11/2024

Em 1948, a Organização das Nações Unidas promulgou uma das leis mais relevantes da história recente: a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que garante a todo ser humano o direito fundamental de ter acesso à cultura. Entretanto, a problemática da falta de valorização da herança africana no Brasil, ainda enfrenta problemas no que diz respeito à falta de debates sobre o assunto. Assim, é lícito afirmar que a postura do Estado em relação à desigualdade cultural e ao silenciamento social contribuem para a perpetuação desse cenário negativo.

Em primeiro plano, evidencia-se por parte do Estado, a ausência de políticas públicas suficientemente efetivas para combater a desigualdade cultural no país. Essa lógica é comprovada pelo papel passivo que o Ministério da Cultura exerce na administração do país. Instituído para ser um órgão que promova a valorização do legado de um determinado povo, tal ministério ignora ações que poderiam potencialmente, fomentar o contato da população à cultura, como a criação de espaços que remetem as tradições africanas nas escolas. Desse modo, o governo atua como agente perpetuador da não valorização da herança africana no país.

Outrossim, é imperativo pontuar que o silenciamento social também contribui para a falta de valorização da herança africana no Brasil. Isso decorre, principalmente, pela grande parcela da sociedade que vive em invisibilidade social, considerados vulneráveis, essas pessoas são ignoradas, tornando-se invisíveis aos olhos da sociedade. Esse problema se justifica pela postura levantada por Jean-Paul Sartre que, em sua obra “O Ser e o Nada”, o filósofo afirma que há questões sociais que são excluídas de debates coletivos. Assim, é paradoxal que o Brasil ainda enfrente o arcaico dilema do silenciamento social.

Diante do exposto, denota-se a urgência de propostas governamentais que alterem esse quadro. Portanto, cabe ao estado uma ampla fiscalização das pessoas que vivem em invisibilidade social. Da mesma forma, por analogia, é proposto que o Ministério da Educação, juntamente com o Ministério da Cultura, promovam palestras em escolas públicas, com o intuito de combater o silenciamento social e promover debates sobre a cultura. Em seguida, cabe ao governo federal conscientizar a população, através de campanhas publicitárias, sobre a valorização.