ENEM 2024 - Desafios para a valorização da herança africana no Brasil
Enviada em 06/11/2024
Na minissérie “The Underground Railroad”, baseada em livro homônimo, durante o período em que Cora, uma escrava negra fugida vive em uma cidade utópica na Califórnia, onde há pouco tempo houve a emancipação dos negros e estes são educados e estão empregados, ainda percebe-se a dominação cultural branca ao invés da integração da cultura africana. Mais de 100 anos após o fim da escravidão e o mesmo ainda se observa na cultura brasileira, por mais miscigenada que seja sua população.
Não é que não houveram tentativas para mudar isso, mas são esparsas e pouco difundidas. E uma recuperação da identidade africana se torna difícil quando sua transmissão foi predominantemente oral. Isso é fácil de se perceber ao comparar a quantidade de obras midiáticas, como livros, filmes e séries, que versam sobre a escravidão com as que falam sobre outros temas em que o afrodescente está presente.
Tal representação estereotipada do negro só vai mudar se forem popularizadas mais obras em que sua participação seja em posições de poder. A autora Chimamanda Adichie e a série “Bridgerton”, por exemplo, fazem bem isso ao exporem afrodescendentes como profissionais liberais e como integrantes das camadas mais altas da nobreza, respectivamente. O mesmo pode ser adotado por escritores e artistar brasileiros para que, a partir de hoje, isso se torne cada vez mais comum e normalizado. Diminuindo, assim, a desvalorização do legado africano no Brasil.
Para que isso se torne realidade, as instituições organizadores de reconhecimento literário, como a do prêmio Jabuti, e editoras nacionais poderiam promover concursos literários focadas na representatividade da cultura afro-brasileira. As obras vencedoras, então, poderiam passar a fazer parte do currículo nacional nas disciplinas de literatura e história pela ação conjunta do Ministério da Educação e da Cultura. Desse modo, não apenas aumentaria a produção mas também a popularização de obras que enaltecem a herança africana no Brasil. E, finalmente, teríamos um cenário cultural mais diversificado do que o observado por Cora em na época da escravidão nos Estados Unidos.