ENEM 2024 - Desafios para a valorização da herança africana no Brasil

Enviada em 11/11/2024

Em “Casa Grande e Senzala”, do escritor Gilberto Freyre, o autor disserta sobre a formação de algo novo, fruto do encontro de diversas raças: o brasileiro. Dentre os que compõem essa miscigenação, há o povo africano, trazido durante o período escravocrata de forma compulsória. Por consequência, suas religiões, idiomas, culinária, dentre outros, foram sintetizados ao próprio Brasil. Contudo, a luta pela valorização dessa herança encontra resistências há muito tempo, em partes advindas da invisibilidade midiática, e em outras provenientes do racismo, que afasta o brasileiro do conhecimento de sua história.

De acordo com a filósofa Djamila Ribeiro, é necessário remover um problema da invisibilidade para depois propor soluções. Assim sendo, a grande mídia, como responsável pela criação do imaginário nacional, exerce um papel crucial na valorização da cultura africana. Ainda na Era Vargas, a capoeira — arte marcial afro-brasileira — foi reconhecida como esporte nacional. O samba, antes igualmente proibido durante o século XIX, passou a ser exportado como símbolo brasileiro ao redor do mundo, culminando inclusive na criação do personagem “Zé Carioca”, por Walt Disney, em sua visita ao Rio de Janeiro.

Apesar de conquistas no século passado, o racismo enraízado na sociedade brasileira menospreza traços da herança africana, como suas religiões, por exemplo o Candomblé, sendo sobreviventes das inúmeras tentativas de catequização por parte dos colonizadores, além de intolerância religiosa. A preservação dos rituais pelo seu povo se deu graças a formação dos quilombos, que atuaram no refúgio de sua integridade física e memorial, tal qual nos dias atuais, a Lei 10.639 visa o combate ao racismo através da disseminação de conhecimento entre o povo, tornando obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-brasileira nas escolas.

Em suma, cabe ao estado, através do Ministério da Cultura, proporcionar incentivos à criação de conteúdo audiovisual que valorize a herança africana. É necessário ainda, que o Ministério da Educação aumente a carga horária do tema nas escolas, realizando também atividades extra-curriculares que despertem o interesse dos alunos. Essas medidas devem solucionar a invisibilidade e o estigma.