ENEM 2024 - Desafios para a valorização da herança africana no Brasil

Enviada em 07/11/2024

Conforme a pensadora brasileira Djamila Ribeiro, o primeiro passo para solucionar uma questão é tirá-la da invisibilidade. Porém, no cenário atual do Brasil, a valorização da herança africana ainda enfrenta diversos desafios, de modo a prejudicar a sensação de pertencimento do seu povo e assim, provocar o esquecimento de seu legado. Dessa forma, é possível compreender a segregação cultural proveniente do passado e a negligência governamental na formação dos jovens afro-brasileiros como fatores determinantes dessa problemática.

Sob esse contexto, é necessário considerar a colonização do país como aspecto influente na atualidade, visto que a sociedade ainda se mantém desigual econômico e socialmente. Por conseguinte, a valorização das culturas também se apresenta de forma discrepante, na qual as crenças e costumes europeus tem maior visibilidade em comparação com a história africana, que se torna segregada e pouco conhecida. Analogamente, o escritor George Owell explícita esse problema ao citar “todos são iguais, mas alguns são mais iguais que outros”, deixando claro a diferença de tratamento ainda presente entre os grupos na sociedade.

Além disso, é notório a responsabilidade que o Estado tem para com os seus cidadãos e os direitos previstos na Constituição de 1988, como o artigo 6, por exemplo, que garante à todos o acesso cultural de sua comunidade. Contudo, na grande maioria das vezes, os jovens afro-brasileiros do país não tem contato com seu legado, devido à desvalorização da trajetória do seu povo. Nessa perspectiva, o escritor brasileiro Gilberto Dimestein disserta em seu livro “O Cidadão de Papel” sobre o abismo que existe entre o cumprimento ideal das leis oficiais do país e a realidade brasileira atual. Desse modo, o governo se torna passível de culpa ao negligenciar a formação digna desses jovens e perpetuar a invisibilidade de sua cultura.

Portanto, a necessidade de uma intervenção imediata para essa questão se torna evidente. Para isso, o Governo Federal, em conjunto com o Ministério da Cultura - órgão responsável pelo acesso à cultura da comunidade - deve fornecer novas formas de contato com o legado