ENEM 2024 - Desafios para a valorização da herança africana no Brasil
Enviada em 07/11/2024
Após a abolição da escravidão no Brasil no século XVIII, a população africana seguiu sua história combatendo o preconceito e derrubando barreiras sociais, mas infelizmente, até os dias atuais, sofrem as consequências do desconhecimento de sua cultura. Assim, devido a desvalorização de suas conquistas e o hiperfoco no período da escravidão, os povos com heranças africanas vivem na sombra desse momento histórico, vítimas aculturais sem pertencimento e que perpetuam costumes de herança socio e economicamente prejudiciais.
Inicialmente, o saber acerca do passado vai além de um mero conhecimento. O livro “Olhos d’água”, de Conceição Evaristo, narra contos fictícios, porém tangíveis, sobre pessoas negras e o resultado da expropriação cultural. Por conseguinte, mostra-se que a falta de alusões às memórias ancestrais africanas projeta um despertencimento por parte das novas gerações. Dessa maneira, resulta em um auto descaso dessas pessoas, que pode gerar problemas na saúde mental e nos relacionamentos interpessoais, como amorosos, de amizade ou até mesmo profissionais.
Em seguida, costumes herdados de forma errônea também influenciam na vida hodierna da população negra. Em uma entrevista recente no podcast “Podpah”, o cantor conhecido como Seu Jorge relata que durante sua infância, em uma família predominantemente afro-brasileira, foi ensinado que não deveria sonhar, em vista que a sociedade já tinha preestabelecido seu papel social. Logo, percebe-se que a lacuna histórica deixou em aberto as interpretações sociais e leva a crença de que não existe futuro para eles. Desse modo, seguem padrões incorretos, não por erro próprio, mas por não saber o certo.
Diante do exposto, é imprescindível que sejam feitas ações para mudar esse cenário. Portanto, cabe ao Ministério da Educação - órgão responsável por formular e aplicar políticas públicas de educação - ampliar o conhecimento da cultura africana no Brasil nas aulas de história e sociologia nas escolas, e para tal, extender a ementa dessas matérias. Com isso, desobstruir a mentalidade de que o único marco histórico de herança africana é a escravidão, para que a valorização deles seja mais precisa. Só assim, será possível transformar esse quadro.