ENEM 2024 - Desafios para a valorização da herança africana no Brasil

Enviada em 07/11/2024

“Eles combinaram de nos matar, nós combinamos de não morrer”, esse é o título de um dos contos do livro “Olhos d’água”, da escritora Conceição Evaristo, e demonstra a resistência do povo negro brasileiro. Trazendo a resistência para o contexto cultural, existe uma tentativa de “matar”, apagar, a história africana no Brasil por meio de sua desvalorização. A partir disso, é importante pensarmos quais os maiores entraves para a valorização da herança africana no Brasil.

A partir desse contexto, a história afrobrasileira vem sendo contada a partir da visão do colonizador, não a partir de seus próprios sujeitos. Esse processo discursivo, como trabalhado por Stuart Hall, na obra “O ocidente e o resto”, cria estereótipos reducionistas sobre um grupo oprimido a fim de, por meio de contrastes, enaltecer o grupo opressor. Além disso, esse discurso retira um tema, aqui a história africana, do “livre pensar” e o coloca sob moldes rígidos que não permitem que um contra-discurso surja. Consequência disso é o apagamento da história de um povo.

Ademais, o racismo estrutural, o qual organiza a nossa sociedade a partir de relações raciais, dificulta com que a valorização da herança afro-brasileira seja efetivada de maneira plena. Exemplo disso é o apagamento da origem negra do escritor “Machado de Assis” nos livros didáticos brasileiros. Sendo assim, de forma estrutural, uma história é apagada e desvalorizada.

Portanto, para superarmos esses desafios, é preciso que o poder executivo, nas esferas municipais, estaduais e federal, crie programas de fomento à formação de professores, intelectuais e lideranças negras, por meio de cursos e oficinas, a fim de que novos discursos de valorização possam ser criados. Assim, a herança africana poderá continuar viva, pois todos nós, em conjunto, “combinamos de não morrer”.