ENEM 2024 - Desafios para a valorização da herança africana no Brasil

Enviada em 11/11/2024

No livro “Brasil, país do futuro”, o autor austríaco Stefan Zweig, expressou confiança no desenvolvimento exponencial da nação brasileira. No entanto, décadas depois, o país ainda enfrenta desafios que impedem esse avanço, sendo a desvalorização da herança africana, um grande obstáculo para o progresso nacional. Por certo, a negligência estatal e a omissão social são as principais causas para a persistência desse cenário.

Primordialmente, é importante destacar a insuficiência da ação estatal em relação à essa falta de valorização da cultura africana. Sob essa perspectiva, o filósofo Nicolau Maquiavel argumenta que o principal objetivo do governante é a manutenção do poder, relegando a um segundo plano a busca pelo bem comum. Nesse contexto, observa-se um descaso por parte do governo, com escassos investimentos na propagação e visibilidade da herança africana, uma vez que políticas voltadas a essa questão não oferecem significativo retorno eleitoral aos políticos. Isso ocorre, porque a grande maioria da alta classe social são pessoas brancas, que não enxergam a cultura africana como uma prioridade e, por isso, não apoia governantes que proponham a eliminação da folclorização dessas culturas. Como resultado, tem-se um aumento do racismo e a falta de conhecimento sobre a ancestralidade que formou o Brasil.

Ademais, a omissão social diante desse desafio contribui para a sua perpetuação. Nesse âmbito, a filósofa Hannah Arendt, sustenta que a sociedade se cala perante determinados problemas sociais, o que acaba por naturalizar situações problemáticas. Sob esse viés, é notória a incidência do pensamento de Arendt no desinterresse nacional pela cultura dos povos negros. Com isso, há uma normalização dessa falta de valor para a cultura africana, já que a maior parte das pessoas brancas enxergam esse tema como algo distante e de baixa relevância.

Portanto, cabe ao Estado a ao Ministério da Cultura - detentores de recursos para a transformação social- promover campanhas, como “Ancestralidade Africana: o ouro do Brasil”, por meio de oficinas educativas em escolas com figuras negras importantes e especialistas, além da divulgação nas redes sociais e comerciais televisivos, a fim de mitigar o desinteresse do brasileiro pela cultura afro-brasileira.