ENEM 2024 - Desafios para a valorização da herança africana no Brasil

Enviada em 12/11/2024

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), de 1948, prevê a todos os direitos à igualdade e à dignidade. No entanto, no Brasil, a concretização de tais prerrogativas é prejudicada pelos desafios para a valorização da herança africana. Esse cenário se deve, em especial, à omissão estatal e ao fator midiático.

Nesse contexto, a negligência estatal contribui para a falta de reconhecimento das tradições africanas. Sob esse olhar, o jornalista Gilberto Dimenstein dissertou que a legitimação de uma Federação Democrática exige a garantia de direitos, como à cultura. Entretanto, a ineficiência governamental opõe-se à tese do autor, dada à escassez de espaços públicos destinados à exposição do legado cultural dos povos da África. Essa displicência ocorre porque uma parcela dos políticos prioriza os seus interesses em detrimento de políticas de valorização do legado da população negra, a exemplo de museus voltados ao ensino das tradições dos povos tradicionais. Desse modo, o governo contribui para a desvalorização do patrimônio imaterial africano, já que o descaso apontado limita o acesso à cultura desse povo.

Ademais, a mídia colabora para a pouca valorização da contribuição da população afro-brasileira para a formação da sociedade. Nesse viés, o sociólogo Pierre Bourdieu afirmou: “o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão”. Todavia, as corporações midiáticas têm sido pouco democráticas em relação à população negra, haja vista a carência de campanhas voltadas à divulgação das crenças e dos costumes desses povos. Tal negligência informacional acontece porque é mais rentável focar em ações que geram dividendos do que em campanhas voltadas à disseminação da herança africana. Com isso, o silenciamento midiático contribui para a manutenção do racismo no país.