ENEM 2024 - Desafios para a valorização da herança africana no Brasil
Enviada em 22/11/2024
“Utopia”, a famosa obra do escritor britânico Thomas More, retrata uma sociedade perfeita, livre de mazelas sociais. No entanto, a realidade brasileira é adversa à idealizada na obra, pois a valorização da herança africana é uma problemática existente. Assim, é possível identificar duas causas principais para essa conjuntura: omissão governamental e as desigualdades sociais.
Antes de tudo, percebe-se um evidente descaso governamental em relação a essa questão. Thomas Hobbes, em sua obra “Contrato Social”, afirma: “é dever do Estado garantir os serviços necessários para o bem-estar da nação”, consolidando a responsabilidade do governo em expandir o conhecimento sobre a cultura africana. Todavia, essa premissa parece ter sido esquecida, visto que são mínimos os esforços para levar o conhecimento sobre os costumes, tradições e religiões africanas até às escolas. Como resultado, o direito ao conhecimento é negligenciado, e os cidadãos que valorizam essa cultura seguem sendo vítimas de preconceito. Isso representa um empecilho para a ordem do país.
Além disso, é importante destacar as desigualdades sociais nesse contexto. O artigo 5º da Constituição Federal de 1988 afirma que todos os cidadão são iguais perante a lei. Entretanto, isso não ocorre na prática, uma vez que os povos negros que exaltam essa cultura por meio das tranças, danças e religiões de matriz africana, são constantemente alvos de racismo e intolerância religiosa. Por outro lado, homens brancos que apropriam dessa herança são aceitos pela sociedade. Diante do exposto, a população negra, moradoras de periferias, continuam exaltando as raízes africanas escondidos da sociedade, enquanto a parcela intolerante segue usufruindo de costumes e marginalizando os descendentes.
Portanto, cabe ao Estado investir uma maior parcela do PIB em valorização da herança africana. Essa ação deve ocorrer por meio do Ministério da Cultura, órgão responsável por elaborar planos e políticas públicas voltadas à disseminar conhecimento sobre a cultura africana, criando rodas públicas de conversa e espaços abertos para a exposição dessas tradições. Em conjunto, é dever do governo implementar nas escolas estudos sobre as tradições e religiões africanas, além de fortalecer leis que responsabilizem atos preconceituosos e racistas.