ENEM 2024 - Desafios para a valorização da herança africana no Brasil

Enviada em 31/01/2025

A crônica ‘’Eu sei, mas não devia’’, de Marina Colasanti, discute como a coletividade banaliza os desafios sociais. Além do enredo literário, a obra ecoa na realidade brasileira, uma vez que a desvalorização da herança africana é frequentemente normalizada. Dessa forma, é essencial adotar medidas concretas para superar esse impasse, fruto da ineficiência estatal e do racismo estrutural.

A princípio, é notória que a inoperância governamental compromete a coesão civil. Segundo Nicolau Maquiavel, no livro “O Príncipe”, os governantes devem priorizar o bem universal. Todavia, o Poder Público rompe essa paridade, ao não promover,por exemplo, políticas que popularizem o legado dos povos africanos, como a oferta gratuita de cursos de línguas africanas, como yorubá e banto na rede pública de ensino. Em face disso, é inadmissível que essa falta de reconhecimento continue, visto que propaga a invisibilidade e o apagamento da ancestralidade oriunda da África como integrante fundamental da identidade cultural do Brasil.

Ademais, sabe-se que o racismo perpetua o dano como uma mazela coletiva. Nessa lógica, a obra de José Saramago, “Ensaio sobre a Cegueira” retrata uma sociedade moralmente cega, definida pelo egoísmo e pela inércia social. Paralelamente, vê-se a indiferença da comunidade cívica acerca da importância de manter as tradições afrodescentes no país, em razão da perspectiva racista que inferioriza populações negras e desconsidera sua relevância sociocultural em escala nacional e global. Diante disso, é inconstestável a necessidade de medidas que combatam a discriminação racial, dado que agrava a violência e a exclusão tanto de afrobrasileiros quanto de imigrantes pretos.

Dessarte, alternativas são fulcrais para reverter esse quadro. Logo, cabe ao Ministério da Igualdade Racial - responsável por combater o racismo - garantir a valorização da herança africana, por meio de campanhas educacionais, com ênfase na arte africana, linguagem e culinária como fatores que contribuíram para compor os costumes brasileiros, a fim de aprimorar a atuação do Estado e reduzir a discriminação racial. Assim, questões como essas deixarão de ser banalizadas, conforme evidenciado por Colasanti em sua crônica.